Peres elogia propostas de Netanyahu para negociação

Por Jeffrey Heller JERUSALÉM (Reuters) - O presidente de Israel, Shimon Peres, elogiou na segunda-feira o futuro premiê do país, Benjamin Netanyahu, por propor negociações com os palestinos, embora sem prometer explicitamente a criação de um Estado para eles, como querem os EUA.

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Na véspera da posse do direitista Netanyahu, Peres, um dos mentores dos primeiros acordos israelo-palestinos da década de 1990, falou durante uma visita a Praga sobre o compromisso declarado pelo novo governo no sentido de negociar a paz.

Em Jerusalém, Netanyahu entregou ministérios a membros do seu partido, o Likud, concluindo os últimos retoques num governo que será dominado por facções direitistas e judaicas ortodoxas, mas que também incluirá o Partido Trabalhista (centro-esquerda).

"Eles dizem que devemos continuar as negociações com os palestinos (...), negociar com cada um dos nossos vizinhos", disse Peres, ex- dirigente trabalhista, que na qualidade de presidente foi o responsável por convidar Netanyahu para tentar formar uma coalizão depois da inconclusiva eleição parlamentar de 10 de fevereiro.

Peres lembrou que as diretrizes do novo gabinete incluem uma promessa de respeitar todos os acordos internacionais firmados por Israel -- uma fórmula que inclui tratados que preveem a futura criação de um Estado palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

"Dizem que vão respeitar o compromisso do governo anterior, então acho que é um começo muito razoável e promissor", disse Peres, ganhador do Nobel da Paz, a jornalistas.

Netanyahu tem dito que negociará a paz com os palestinos, mas que pretende enfatizar questões econômicas em vez das territoriais, como habitualmente acontece nas negociações ora paralisadas.

Ele não fez menção à criação de um Estado palestino junto a Israel. Autoridades palestinas dizem que o processo de paz não terá futuro sem um compromisso explícito dos israelenses com a "solução de dois Estados".

A meta da criação do Estado palestino foi reafirmada na semana passada pelo presidente dos EUA, Barack Obama. Fontes políticas israelenses dizem que Netanyahu tenta marcar um encontro com Obama para o começo de maio em Washington.

Houve preocupação no exterior com a indicação por Netanyahu do político ultranacionalista Avigdor Lieberman como chanceler.

Lieberman é partidário da cessão de partes de Israel onde vivem muitos dos 1,5 milhão de cidadãos árabes do Estado judeu, em troca de assentamentos judaicos dentro da Cisjordânia.

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