Peres e Mubarak apostam no relançamento do processo de paz no Oriente Médio

Cairo, 23 out (EFE).- Os presidentes de Israel, Shimon Peres, e do Egito, Hosni Mubarak, apostaram no relançamento do processo de paz no Oriente Médio, após um encontro hoje em território egípcio em uma cúpula da qual se esperavam poucos resultados.

EFE |

"A paz nunca foi tão possível no passado quanto agora. É um erro perder esta oportunidade", declarou Peres em entrevista coletiva com Mubarak após a reunião entre os dois chefes de Estado no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh.

Esta foi a primeira visita oficial ao Egito de um presidente israelense em oito anos. O chefe de Estado de Israel costuma ter apenas funções de representação, e a visita de Peres ao Egito também acontece em meio a uma grande incerteza política em seu país.

Mubarak e Peres não anunciaram decisões importantes para o andamento do processo de paz no Oriente Médio, destacando apenas a necessidade de manter o rumo e o reforço das conversas.

Peres, sem funções executivas na administração israelense, chegou a Sharm el-Sheikh enquanto em Israel acontecem as negociações da ministra de Assuntos Exteriores Tzipi Livni para tentar formar o Governo como nova chefe do partido Kadima.

"Acredito que o Governo que será formado em Israel continuará com o processo de paz árabe-israelense", declarou Peres na entrevista coletiva junto com Mubarak.

O presidente do Egito expressou sua disposição de colaborar com o Executivo que "o povo israelense eleger", independentemente do partido.

Peres e Mubarak falaram a jornalistas e representantes das delegações dois países.

O presidente israelense falou quase todo o tempo em hebraico e Mubarak em árabe, mas usaram o inglês para tecerem alguns comentários sobre a ordem das perguntas.

O chefe de Estado egípcio afirmou que, se for alcançado um acordo de paz global e definitivo para a região, "todos os países árabes normalizarão suas relações com Israel", e insistiu que este ponto já está contido nos compromissos assumidos pelos países árabes.

Assim, Mubarak lembrou que a iniciativa nascida em Beirute na cúpula da Liga Árabe de 2002 estipula que, "se houver uma paz global entre as partes em conflito - israelenses e palestinos - todos os países árabes terão um tratamento natural com Israel".

"Caso se chegue a uma solução, os países árabes, de acordo com esta iniciativa, normalizarão as relações com Israel", declarou o presidente egípcio.

Em suas declarações, Peres e Mubarak fizeram votos por um desfecho proveitoso dos esforços para conseguir a libertação do soldado israelense Gilad Shalit, cativo na Faixa de Gaza e em poder do grupo islâmico Hamas desde 2006.

"Tenho esperanças de que os esforços para libertar Shalit darão resultados", declarou Peres, que destacou o papel do Egito nesta mediação, enquanto Mubarak negou que seu Governo tenha fracassado nas gestões para conseguir sua libertação.

Peres expressou a necessidade de o povo palestino ser "independente, livre e viver em paz", e disse que os israelenses querem ser amigos dos palestinos.

"As conversas que tivemos tinham realmente como propósito insistir em um acordo com o povo palestino sobre o princípio de dois Estados e dois povos vivendo lado ao lado em paz", declarou Peres.

Peres acrescentou que o encontro também tinha como propósito "pedir às pessoas que aproveitem esta oportunidade".

Fazia oito anos que um governante egípcio não era anfitrião de um presidente israelense. O último a visitar o Egito tinha sido Ezer Weizman, no ano 2000.

O Egito é considerado o país próximo a Israel entre as nações árabes, em virtude dos acordos de paz assinados em 1979. Seus vínculos contrastam com a hostilidade manifesta contra o Estado de Israel de outros países da região. EFE jfu/wr/fal

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