Jerusalém, 15 set (EFE).- O presidente israelense, Shimon Peres, e o negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, se reuniram em segredo na semana passada para tentar dar um impulso ao estagnado processo de paz do Oriente Médio.

A reunião aconteceu em Jerusalém diante da reunião que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tenta realizar em Nova York com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, informa hoje o jornal "Ha'aretz".

Nas duas horas de conversa o presidente israelense expôs ao negociador palestino a importância de relançar as negociações no final deste mês, ao referir-se à reunião em Nova York, ainda sem data, mas que será realizada durante as sessões da Assembleia Geral da ONU.

"Não podemos perder esta oportunidade... Te peço que se diga a Abbas. Tem que ir ao encontro em Nações Unidas", disse Peres a Erekat, segundo o diário.

"Há diferenças no tema dos assentamentos e em outras questões, mas serão resolvidas", acrescentou o presidente israelense, para quem "os mais importante agora é reiniciar as conversas o mais rápido possível".

A ANP se mostra reticente a realizar a reunião porque Israel não cumpriu as exigências do "Mapa da Paz" sobre uma completa paralisação da construção nos assentamentos judaicos na Cisjordânia, compromisso que Washington trata de extrair de Netanyahu durante a visita à zona do enviado especial George Mitchell.

O primeiro-ministro israelense recebeu esta manhã a Mitchell para abordar a reivindicação de Abbas, que inclui também uma cessação de projetos na parte este de Jerusalém, onde os palestinos aspiram a estabelecer a capital de seu futuro Estado.

Ontem, em um comparecimento na Comissão de Assuntos Exteriores e Segurança do Parlamento israelense, Netanyahu declarou aos deputados que "os palestinos esperam uma completa paralisação, (mas) está claro agora que isso não ocorrerá".

A oferta do chefe do Governo israelense contempla uma "redução" da construção na Cisjordânia, e mantém Jerusalém Oriental fora do pacote porque "não é um assentamento".

Desde que Netanyahu formou Governo em março a ANP rejeita manter um diálogo direto com líderes de Israel, boicote que foi quebrado pela primeira vez no último dia 2 em reunião entre o ministro israelense de Cooperação Regional, Silvan Shalom, e o de Economia palestino, Basam Jury.

Como presidente, Peres não tem poderes executivos, mas nas últimas semanas empreendeu uma função muito mais ativa no plano político que as atribuídas por lei ao chefe do Estado a fim de encaminhar Netanyahu para as negociações com os palestinos.

Em encontros com diplomatas americanos, árabes e europeus, o presidente israelense propôs as bases para um acordo interino com a ANP que inclua a declaração de um Estado independente com fronteiras temporárias no prazo de dois anos e que deixe para mais adiante as questões mais espinhosas. EFE elb/fk

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