Peres e Abbas reúnem-se em Jerusalém e apostam no processo de paz

Antonio Pita Jerusalém, 22 jul (EFE).- Os presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, destacaram hoje em uma histórica reunião em Jerusalém a aposta pela paz como única alternativa ao conflito entre seus povos.

EFE |

O encontro de hoje não foi o primeiro entre os líderes, mas o primeiro na residência oficial de Peres, que nunca teve idêntico gesto com o antecessor de Abbas, Yasser Arafat, apesar de ambos receberam juntos o Prêmio Nobel da Paz em 1994.

Uma bandeira israelense e outra palestina decoravam a entrada da residência do presidente de Israel, em um simbólico detalhe ausente nas reuniões entre Abbas e o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, para tratar do avanço nas negociações de paz lançadas na Cúpula de Annapolis, realizada em novembro nos Estados Unidos.

Na pauta da reunião de hoje está a aparente estagnação deste processo, que tem como objetivo conseguir um acordo de paz antes do fim do ano.

"Tenho a sensação de que ambas as partes consideram que não há alternativa à paz", disse Peres à imprensa antes do encontro, que foi realizado pouco depois de um ataque na cidade por um palestino que, com uma escavadeira, deixou israelenses feridos e acabou sendo morto a tiros.

A respeito, Peres advertiu que Israel "não aceitará ataques terroristas como rotina", enquanto Abbas condenou "com firmeza" esse ato e desejou às vítimas "uma rápida recuperação", segundo um comunicado divulgado pelo Gabinete do Presidente do Estado de Israel.

"Apesar da passagem do tempo, das dificuldades e dos obstáculos, há um final para este longo conflito", manifestou o presidente da ANP.

Neste sentido, Peres ressaltou sua "plena confiança" em que "se resolvam os problemas" que estagnam o atual diálogo político, entre os que citou as fronteiras, a questão de Jerusalém e os assentamentos judaicos.

Um dos principais impedimentos, se não o maior, é a contínua expansão das colônias de Israel na Cisjordânia, algo expressamente proibido pelo Mapa do Caminho, plano de paz que guia o diálogo lançado em Annapolis.

Outro participante do encontro, o negociador-chefe da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, afirmou antes da reunião que pediria a Peres que atuasse para deter a ampliação dos assentamentos que, segundo ele, "estão minando as conversas de paz".

A dispersão das forças de segurança da ANP em várias cidades da Cisjordânia para impor a ordem também figura entre os problemas que o processo de diálogo enfrenta. Israel argumenta que, sem a presença do seu Exército, os corpos de segurança palestinos seriam incapazes de fazer-se valer na região e, por isso, as tropas israelenses devem permanecer neste território, ocupado desde a Guerra dos Seis Dias de 1967.

Desde o início do processo de Annapolis, Israel permitiu a dispersão durante o dia da Polícia palestina em várias cidades cisjordanianas, mas de noite esta tem que se retirar para que o Exército israelense realize suas freqüentes batidas e detenções.

De acordo com os observadores, esta situação desprestigia a Abbas perante o seu povo, por fazer-lhe parecer uma marionete de Israel.

Esse fato levou o presidente palestino a ameaçar, hoje mesmo em reunião prévia com militantes de seu movimento Fatah, a retirada de seus corpos de segurança da cidade de Nablus, na Cisjordânia, caso as constantes batidas continuem.

Nesse encontro, realizado em Ramala, Abbas disse que estas ações do Exército israelense "destroem o processo de paz" e que discutirá esse assunto na próxima reunião entre as respectivas equipes negociadoras, indicou Najat Abu Baker, deputado do Fatah.

Há duas semanas, Israel lançou uma operação maciça de fechamento de organizações caridosas na Cisjordânia - principalmente em Nablus, onde dezenas foram enclausuradas - com o argumento de que estavam vinculadas ao movimento islâmico Hamas, rival do Fatah e que controla a Faixa de Gaza desde junho de 2007. EFE ap/ab/plc

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