Peres diz que Israel deve apoiar estratégia de Obama para o Irã

WASHINGTON - O presidente israelense, Shimon Peres, disse nesta terça-feira, após se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que Israel deve apoiar a estratégia de Washington no Irã. O líder israelense concedeu entrevista a jornalistas, mas evitou falar sobre os polêmicos assentamentos judaicos na Cisjordânia.

EFE |


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A tentativa de aproximação entre Washington e Teerã e a solução de dois Estados para o conflito entre israelenses e palestinos são os assuntos que marcam a visita de quatro dias de Peres aos EUA.

Obama não fez declarações ao final do encontro.

Ao final da reunião, o presidente israelense afirmou à imprensa que, se Obama quiser manter um diálogo com Teerã, os israelenses devem ser "leais apoiadores" de Washington.

"Caso tenha sucesso, pode ser o melhor", afirmou Peres, que ocupa uma posição fundamentalmente cerimonial no governo israelense, onde a figura forte é a do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.

Diálogo

No final de março, a Casa Branca fez a oferta mais direta de diálogo a Teerã em 30 anos de confronto.

"Meu governo está comprometido com uma diplomacia que aborde toda a gama de assuntos pendentes e com a busca de laços construtivos entre EUA, Irã e a comunidade internacional", anunciou então Obama.

Como parte dessa estratégia, em abril, o governo americano expressou sua intenção de se juntar às conversas mantidas por Reino Unido, China, França, Rússia e Alemanha com o Irã sobre o programa nuclear do país.

O vice-presidente americano, Joe Biden, afirmou nesta terça-feira que Washington está decidido a impedir que o Irã se transforme em uma potência nuclear.

"Estamos intensamente concentrados em impedir o grave perigo de um Irã nuclear", afirmou Biden em discurso ao grupo de pressão pró-israelense Aipac na capital americana.

Nesta terça, os EUA reforçaram sua pressão sobre Israel para que aceite a solução de dois Estados.

Peres dedicou boa parte de sua vida política à obtenção de uma solução ao conflito que envolva a criação de um Estado palestino.

Premiê

Já Netanyahu, que chegou ao poder após as eleições de fevereiro, não se pronunciou até o momento a favor de um Estado palestino.

Biden pediu, nesta terça, à coalizão de direita de Netanyahu para apoiar a criação de um Estado palestino.

"Israel tem que trabalhar com a solução de dois Estados", afirmou o vice-presidente, que pediu ao país para que não construa mais assentamentos, acabe com os já existentes e permita o livre trânsito dos palestinos.

Netanyahu, que se dirigiu aos presentes à reunião anual do Aipac através de uma videoconferência na segunda-feira, não fez nenhuma referência ao Estado palestino.

Obama já expressou em diversas ocasiões seu apoio à existência de dois Estados vizinhos na zona, mas evita confrontos diretos com Netanyahu.

Está previsto que o chefe de Estado americano receba Netanyahu na Casa Branca no próximo dia 18 e que se reúna com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, no final deste mês.

Secretária de Estado

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, reiterou também nesta terça-feira, durante um encontro com Peres, o apoio de Washington à solução de dois Estados, disse o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Robert Wood.

As negociações de paz entre israelenses e palestinos se estagnaram devido a novos assentamentos judaicos na Cisjordânia e à persistente violência anti-israelense da parte palestina.

Os palestinos sustentam que os assentamentos, criticados pela comunidade internacional, comprometem sua aspiração de ter seu próprio Estado.

Obama prometeu que a obtenção de um acordo de paz no Oriente Médio será uma das prioridades de seu mandato.


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