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Peres adverte sobre perigo de segunda Shoá em Israel

Berlim, 27 jan (EFE).- O presidente israelense, Shimon Peres, advertiu hoje, em ocasião do dia em memória das vítimas do Holocausto, sobre o perigo de uma segunda Shoá por parte daqueles que ameaçam Israel e o mundo e pediu à comunidade internacional a impedir que o Irã obtenha armas nucleares.

EFE |

Peres fez em Berlim uma analogia entre o Holocausto e o perigo intrínseco que virá se "regimes fanáticos que ignoram a Carta das Nações Unidas" chegarem a ter armas atômicas.

Ao falar do Holocausto, o presidente citou os planos de extermínio judeu na Conferência de Wannsee (1942) - "a cúpula nazista condenou à morte 11 milhões de judeus". "Nunca mais devemos ignorar ditadores sanguinários, que se escondem atrás de máscaras demagógicas e proferem palavras de ordem assassinas", disse Peres.

O presidente israelense expressou o desejo de Israel em "firmar a paz com seus vizinhos", reconheceu o direito dos palestinos a um "Estado independente" e também o dos judeus a "se defender".

Peres se tornou assim no primeiro presidente de Israel que falou perante o Parlamento alemão (Bundestag) no dia em memória às vítimas do Holocausto, em ocasião do 65º aniversário da libertação de Auschwitz. Além disso, foi o terceiro a falar à câmara após Eser Weizman em 1996 e Mosche Katsav em 2005.

O presidente israelense lembrou a "especial amizade" entre Alemanha e Israel surgida "sobre as cinzas do Holocausto", desde tempos de David Ben Gurion e Konrad Adenauer e cimentada depois pelos seguintes chanceleres alemães. Entre eles, Peres citou Willy Brandt, Helmut Schmidt e Helmut Kohl, até chegar a Angela Merkel.

Ao falar sobre Merkel, Peres destacou a atenção com que recebeu a mensagem de seus antecessores, a "sensibilidade" com que se comprometeu a "manter a especial responsabilidade da Alemanha na defesa de Israel" e seu discurso perante o Congresso dos Estados Unidos, ao advertir que o regime de Teerã "é uma ameaça para o mundo".

"Estamos com os milhões de opositores iranianos que saem às ruas contra esse regime", afirmou Peres.

O presidente israelense pediu, além disso, que não se abandone a perseguição dos criminosos nazistas que continuam vivos, para que sejam levados perante a Justiça e a manter viva a memória dos seis milhões de judeus assassinados pelo regime nazista.

"Peço-lhes que façam todo o possível para que seja aplicado o castigo justo a esses criminosos", afirmou Peres, para quem aos "olhos" dos judeus o processo judicial desses criminosos não é questão de "revanche", mas de "educação".

"Os jovens devem lembrar, não podem esquecer e devem saber o que ocorreu", sustentou, após lembrar que o número de sobreviventes diminui ano a ano e, por isso, é imprescindível fazer "o que estiver ao nosso alcance" para o bem da justiça.

"Cada vez restam menos sobreviventes vivos do Holocausto. Mas ao mesmo tempo vivem em território alemão, na Europa, e em outros lugares do mundo pessoas que buscaram o fim mais terrível: o genocídio." O presidente israelense falou ao Bundestag ao lembrar seu avô, assassinado junto com outros judeus da Bielorrússia onde nasceu, após ser conduzidos e fechados em uma sinagoga, queimada como tantos outros templos judeus.

Peres lembrou as últimas palavras que disse seu avô lhe disse, ao se despedir em uma estação de trem da qual partiu com sua família em 1934 rumo Tel Aviv: "filho meu, continue sendo judeu". "Isso eu fiz", disse Shimon Peres, ao evocar o abraço de despedida do avô.

O discurso perante o Bundestag foi o ponto culminante da visita de três dias a Berlim. Peres se reuniu na terça-feira com Merkel e com o presidente alemão, Horst Köhler.

O presidente, Prêmio Nobel da Paz em 1994, visitou ontem a via número 17 da estação de trem de Grünewald, no sudoeste de Berlim, de onde partiam muitos dos trens que conduziram milhares de judeus aos campos de extermínio na Polônia ocupada. EFE gc-nvm/sa

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