Peregrinos muçulmanos iniciam o Haj, a rota do profeta Maomé

Por Inal Ersan MECA, Arábia Saudita (Reuters) - Centenas de milhares de muçulmanos começaram neste sábado a peregrinação para Meca, o haj, dirigindo-se para um acampamento fora da cidade sagrada de Meca para seguirem a rota traçada pelo profeta Maomé 14 séculos atrás.

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Quase dois milhões de peregrinos chegaram esta semana a Meca, onde as autoridades montaram um vasto esquema de segurança para impedir quaisquer ataques de militantes, corre-corres mortíferos ou atividades políticas que possam causar embaraço à Arábia Saudita.

"É um pouco como beber do mar, não importa quanto você beba sua sede nunca é saciada. É por isso que eu venho frequentemente", disse Hassan al-Sayed, um peregrino egípcio.

Alguns peregrinos caminhavam, carregando malas, enquanto outros tomavam ônibus que se movem lentamente em meio às multidões para a região de Mina, a leste de Meca. Os homens se vestem com túnicas brancas simples, marcando o estado de ihram, ou pureza ritual.

"É um bonito sentimento, muito bonito, especialmente quando você vê a Caaba", disse uma mulher marroquina chamada Sanna depois de visitar o antigo santuário cúbico no centro da Grande Mesquita, em Meca. "Espero poder retornar novamente, com a ajuda de Deus."

Todos os peregrinos devem chegar até sábado de manhã no monte Arafat, a cerca de 15 quilômetros da cidade. O Eid al-Adha, ou festa do sacrifício, começa na segunda-feira, quando os peregrinos iniciam três dias de lançamento de pedras contra paredes, em um ato simbólico de renúncia ao demônio.

As autoridades fizeram modificações durante o ano para reduzir o fluxo de peregrinos dentro da Grande Mesquita e na ponte Jamarat, propícia a desastres. Em janeiro de 2006, 362 pessoas foram esmagadas até a morte na ponte, na pior tragédia do Haj desde 1990.

"Vim aqui porque sempre desejei vir", disse Umm Hassan, do Egito. "Espero que Deus me dê a saúde e a sorte para vir uma segunda e uma terceira e mesmo mais vezes."

O fluxo de pessoas era notavelmente mais tranquilo do que no ano passado, já que mais peregrinos são transportados em ônibus e as autoridades impuseram checagens rigorosas nos pontos de entrada em Meca para manter de fora as pessoas sem a permissão para participar do Haj e que querem tomar parte nos rituais.

O governo diz que impedirá que sauditas e residentes estrangeiros tomem parte sem possuir autorização oficial, principal causa de superlotação. Quase 1,75 milhão de vistos foram concedidos para muçulmanos do exterior participarem do Haj e pelo menos 500 mil moradores da Arábia Saudita receberam a permissão.

O governo alertou os peregrinos para não politizarem o Haj. "A Arábia Saudita está acima de qualquer partido ou intenções políticas por trás do Haj. Os peregrinos não devem levantar nenhum slogan a não ser o do Islã", disse o ministro de Assuntos Islâmicos, Saleh bin Abdul-Aziz Al al-Sheikh, em comentários publicados em jornais sauditas.

No passado houve confrontos entre a polícia e peregrinos iranianos por causa de slogans políticos. As tensões sectárias aumentaram recentemente no mundo árabe depois que os muçulmanos xiitas assumiram o poder no Iraque, fortalecendo o Irã e seus aliados xiitas.

Disputas entre as facções palestinas Hamas e Fatah atrasaram a chegada de alguns palestinos e impediram outros de irem a Meca, fato que adicionou um outro potencial problema.

Falando em Meca, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, culpou o Hamas. "Infelizmente, esta é a primeira vez na história do povo palestino que os peregrinos são impedidos (de viajar). Israel nunca impediu os peregrinos", disse ele a repórteres.

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