Peregrinos lembram véspera da crucificação em Jerusalém

Jerusalém, 1 abr (EFE).- Milhares de peregrinos cristãos vindos de todo o mundo seguiram hoje em Jerusalém as cerimônias da Quinta- Feira Santa, que lembram a véspera da crucificação Jesus com atos como o Lava-pés e a Hora Santa em Getsêmani.

EFE |

A jornada começou no início da manhã com uma missa na Basílica do Santo Sepulcro onde, segundo a tradição cristã, Jesus foi crucificado e enterrado.

Ao meio-dia, seguindo uma antiga tradição, as famílias muçulmanas que guardam a chave do Santo Sepulcro há gerações fecharam a porta da Basílica e, em um gesto simbólico, fizeram a entrega da chave ao vigário franciscano do convento de San Salvador.

O vigário da Custódia da Terra Santa, o padre Artemio Vítores, transferiu de novo a chave ao Santo Sepulcro liderando uma procissão de frades pelas estreitas vielas da Velha Jerusalém e as devolveu aos árabes que tomavam conta dela, que subiram uma escada para abrir de novo o acesso principal ao Santo Sepulcro.

Mais tarde, as diversas denominações cristãs e peregrinos vindos de todos os continentes rememoraram o Lava-pés, o momento em que Jesus lavou os pés de cada um de seus discípulos.

O patriarca grego ortodoxo de Jerusalém, Teófilo III, lavou os pés de 12 fiéis cristãos no Santo Sepulcro, enquanto o custódio da Terra Santa, Frei Pierbattista Pizzaballa, fez o mesmo com 12 crianças no Cenáculo, onde a tradição situa o lugar em que Jesus celebrou a Última Ceia.

"Foi uma cerimônia preciosa e o custódio realizou um serviço do que saímos todos emocionados", disse o vice-custódio à Agência Efe.

Segundo Vítores, no ato realizado no Cenáculo "se lembraram três momentos importantes: o mandamento do amor - amar-vos uns a outros como eu lhes amei -, o dia do sacerdócio - fazei isto em memória de mim -, e a instituição da eucaristia".

Situado fora das muralhas da velha cidade, o Cenáculo está sob controle israelense e ali só se permitem celebrar cerimônias cristãs em duas datas: Quinta-Feira Santa e Pentecostes.

O resto do ano, o lugar, que é foco da disputa entre Israel e a Santa Sé e é considerado também como o lugar onde se encontra o túmulo do rei David, está aberto à visita de turistas, mas não pode ser utilizado para atos religiosos.

Os atos de Quinta-Feira Santa continuaram às cinco da tarde, com uma missa franciscana em San Salvador (dentro da cidadela amuralhada e adjacente à Portão Novo), à qual devem participar membros da comunidade cristã local e peregrinos.

Esta noite se realizará no Jardim do Getsêmani o que se conhece como a "Hora Santa" ou "oração do jardim", na qual se lembra o momento em que, segundo as escrituras, Jesus atravessou o corrente de Cedrón após jantar com seus apóstolos e se retirou para orar rodeado de oliveiras milenares, sentindo o abandono dos seus, que ficaram dormindo e não velaram por ele.

A cerimônia será realizada na Igreja das Nações, com cânticos em múltiplas línguas, e lembrará os momentos em que Jesus reza, é entregue por Judas com um beijo e, posteriormente, apreendido pelos soldados.

Finalizado o serviço, os fiéis "caminharão em uma procissão com tochas desde Getsêmani até o Gali Cantus, fora da muralha, para lembrar o momento em que Jesus, após ser apreendido, é levado primeiro a casa de Anás e depois a casa de Caifás", explica o vice-custódio.

A partir dali os crentes poderão ir para o Santo Sepulcro, que excepcionalmente abrirá suas portas até a meia noite para acolher os fiéis que queiram se retirar e orar em silêncio.

As cerimônias de hoje são a ante-sala à principal das procissões da Semana Santa em Jerusalém, a Via-Sacra, que percorrerá amanhã as 14 estações da Via Dolorosa para lembrar o caminho que fez Jesus fez desde sua prisão até ser crucificado no Calvário. EFE aca-elb/pb

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