Perdas na biodiversidade podem deixar o homem sem medicamentos

O mundo corre o risco de acabar com vários antibióticos e remédios se não evitar a rápida extinção de milhares de espécies de animais e plantas, advertem especialistas.

AFP |

As perdas de espécies animais e vegetais estão alcançando níveis alarmantes e, o pior, é que com elas também estão desaparecendo segredos para a descoberta de novos tratamentos contra a dor, infecções ou uma ampla gama de doenças, incluindo o câncer.

"Temos que fazer algo com o que está acontecendo na biodiversidade", declarou Achim Steiner, diretor executivo do Programa da ONU para o Meio Ambiente (UNEP) ao apresentar o livro "Em apoio da vida".

Mais de 16.000 espécies estão ameaçadas de extinção, destacou Steiner ao apresentar o livro à margem de uma conferência sobre Negócios para o Meio Ambiente patrocinada pelas Nações Unidas.

"A sociedade depende da natureza para o tratamento das enfermidades. Os sistemas de saúde ao longo da história humana se basearam em produtos animais e vegetais usados em tratamentos médicos".

A revolução tecnológica nos séculos XIX e XX tentou encontrar remédios médicos afastados da natureza e baseados sobretudo em componentes químicos.

Atualmente, as empresas farmacêuticas levam cada vez mais em conta a natureza em detrimento dos compostos químicos, mas o mundo está perdendo estes componentes, mesmo antes de ter a oportunidade de entender seu funcionamento, segundo Steiner.

"Esta é a tragédia de não entender a biodiversidade", ressaltou.

O livro cita como exemplo alguns viveiros de rãs descobertos nas florestas da Austrália nos anos 80, atualmente extintos.

Os estudos demonstraram que estas rãs tinham substâncias que poderiam ter sido utilizadas para a prevenção e o tratamento de úlceras pépticas, doença que afeta 25 milhões de pessoas apenas nos Estados Unidos.

mba/fp

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