Pequim se nega a dar explicações sobre detenção de dissidentes

Pequim, 16 dez (EFE).- O Governo chinês desistiu hoje de dar informações sobre a prisão de dissidentes pró-democráticos e acusou Washington de interferir em seus assuntos internos ao se interessar por estas detenções por ocasião da celebração dos 30 anos de reforma e abertura do regime chinês.

EFE |

"Nos opomos a que outros países interfiram nos assuntos internos da China", declarou hoje o porta-voz de turno do Ministério de Assuntos Exteriores da China, Liu Jianchao, em entrevista coletiva.

Liu, que nas últimas semanas recebeu várias perguntas sobre o paradeiro de dois importantes ativistas chineses detidos por assinarem uma carta exigindo mais liberdades democráticas, reiterou sua resposta: "Não tenho detalhes sobre este assunto específico".

O advogado Zhang Zuhua e o intelectual Liu Xiaobo, ex-presidente na China da Associação PEN Internacional - que defende a liberdade de expressão -, foram detidos no dia 8 de dezembro após assinarem a "Carta 8", dirigida ao Governo chinês e assinada por outros 300 importantes cidadãos chineses de dentro e de fora do país.

O escritor Liu foi também o intelectual que iniciou a greve de fome durante os protestos estudantis de 1989.

A repressão da Praça da Paz Celestial, na qual centenas de estudantes foram mortos pelo Exército chinês, não é apenas um dos "tabus" do regime do Partido Comunista, mas representa a aplicação do embargo de venda de armas pela União Européia, ainda em vigor.

O porta-voz chinês não se negou apenas a dar detalhes sobre o paradeiro dos dois dissidentes, mas defendeu o novo bloqueio de sites que foram desbloqueados durante os Jogos Olímpicos de 2008 em uma tentativa do regime para demonstrar sua abertura.

"Não estou sabendo dos detalhes, mas em geral seguimos uma política de abertura e reforma em questões internacionais e administramos a internet de acordo com a lei", declarou Liu ao ser perguntado sobre o bloqueio de sites como o da emissora britânica "BBC". EFE mz/fal

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