Pequim, 9 set (EFE).- As autoridades chinesas qualificaram os misteriosos ataques com seringas contra os transeuntes de delitos violentos de terrorismo, depois que causassem uma nova onda de protestos étnicos na região ocidental chinesa de Xinjiang, onde desde julho morreram mais de 200 pessoas.

Segundo informa hoje a imprensa chinesa, du Xintao, funcionário do Departamento de Segurança Pública de Urumqi, capital regional, informou que "os recentes ataques com seringas não eram brincadeiras de indivíduos nem simples atividades delitivas, mas foram planificadas, transtornaram a ordem social e criaram medo".

As autoridades não permitiram que a imprensa acedesse aos hospitais para entrevistar às supostas vítimas destes ataques, dos que acusam à minoria local uigur.

Apesar de em um primeiro momento a agência oficial de notícias "Xinhua" informou de centenas de ataques com seringas, segundo os últimos relatórios das autoridades locais só vinte vítima mostram sinais de haver sido atacadas e segundo testemunhas locais na realidade poderia se tratar de poucos ataques.

As autoridades sanitárias não detectaram nenhum contágio de AIDS ou por substâncias tóxicas por estes ataques, como indicavam os rumores que correm entre a etnia chinesa han.

Seja como for, os rumores suscitaram novos protestos há uma semana, protagonizadas por milhares de membros da etnia chinesa, que acusava à uigures de perpetrar os ataques e pediam a cassação do secretário do Partido Comunista na região, Wang Lequan, um suposto protegido do presidente Hu Jintao.

Durante estes protestos, se produziram novos linchamentos contra a etnia minoritária uigur, de língua turca e religião muçulmana, que habita há séculos a região embora hoje suponha menos da metade de seus 20 milhões de habitantes devido à chegada em massa de colonos chineses nas últimas décadas.

As autoridades de Xinjiang, citadas pela agência "Xinhua", informaram que menos 5 pessoas morreram e 14 ficaram feridas durante estes distúrbios, embora não especificaram sua etnia, enquanto grupos uigures no exílio insistem em mais mortes.

No dia 5 de julho se produziram os primeiros protestos étnicos em Urumqi, quando grupos de uigures se manifestavam pelo linchamento e morte de membros de sua etnia no sul do país, uma manifestação que sucedeu violenta e na qual, segundo o Governo, morreram cerca de 200 pessoas e 1.600 ficaram feridas.

Embora as autoridades chinesas tratem de vincular estes protestos com o terrorismo islâmista, analistas internacionais e locais contatados pela Efe assinalam que o problema é étnico, já que existe um profundo racismo contra os uigures por parte dos chineses que não melhorou com as políticas de integração de Pequim. EFE mz/fk

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