Pequim pede a Obama que retome relação militar

Pequim, 20 jan (EFE).- Horas antes da posse do novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, Pequim estendeu hoje a mão à nova administração para retomar os laços militares bilaterais, suspensos desde outubro por uma venda de armas dos EUA a Taiwan.

EFE |

O porta-voz do Ministério da Defesa chinês, Hu Changming, assinalou hoje em entrevista coletiva que seu Governo "sempre prezou muito as relações militares com os Estados Unidos".

Obama manterá em seu cargo o atual secretário de Defesa, Robert Gates, lembrou o porta-voz.

"Nesta nova era, esperamos que China e EUA se esforcem de forma conjunta para promover a melhora constante e o desenvolvimento dos vínculos militares entre eles", expressou Hu.

Na entrevista coletiva, o coronel e outros altos comandantes militares apresentaram seu relatório de 2008, no qual o regime do Partido Comunista da China expõe sua política neste sentido.

Hu explicou que nos 30 anos de laços diplomáticos entre ambas potências mundiais, "China e EUA demonstraram que suas relações militares têm uma base sólida".

No entanto, "na atualidade enfrentamos dificuldades nas relações militares, pelo que pedimos aos EUA que tomem medidas concretas para eliminar obstáculos".

Washington e Pequim completam em 2009 três décadas de vínculos formais, estabelecidos após os EUA romperem com a ilha de Taiwan, por exigência de Pequim, que a considera parte de sua soberania.

No entanto, Washington mantém desde 1982 um acordo mediante o qual fornece assistência militar à ilha caso que seja atacada e, em outubro, anunciou sua maior venda de armamento a Taiwan, de US$ 6,5 bilhões.

O acordo inclui 30 helicópteros de ataque Apache e 330 mísseis Patriot.

"A China suspendeu os intercâmbios com os EUA porque (o presidente George W.) Bush anunciou que venderia armamento a Taiwan", assinalou à Agência Efe o acadêmico Shi Yinhong, da Universidade Popular de Pequim.

Segundo Shi, "a posse de Obama e a mudança de poder são o momento adequado para restabelecer os intercâmbios militares de forma natural. Mas podemos especular que, em um futuro, qualquer venda de armas a Taiwan por parte dos EUA representará uma nova ruptura".

O relatório não parece ter sido apresentado no dia da posse de Obama por acaso.

Ele acrescenta que "os EUA aumentaram sua atenção estratégica na região da Ásia Pacífico, consolidando alianças militares, ajustando seu planejamento militar e reforçando sua capacidade". EFE mz/jp

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