Pequim, 20 abr (EFE).- O Governo chinês ignorou o pedido do líder espiritual tibetano no exílio, o Dalai Lama, de ir a Qinghai, seu local de nascimento, para consolar as vítimas do terremoto de quarta-feira passada.

"As crenças e costumes dos locais (tibetanos) estão sendo respeitadas. E estão se realizando atividades de oração e purificação", respondeu hoje Jiang Yu, porta-voz da Chancelaria chinesa ao ser questionada em entrevista coletiva sobre o pedido do Dalai Lama.

O líder espiritual budista, exilado na Índia há décadas, expressou no fim de semana passado sua disposição a visitar as áreas mais afetadas pelo terremoto na cidade tibetana de Yushu, na província de Qinghai, contígua ao Tibete.

O terremoto, de 7,1 graus na escala Richter, devastou na quarta-feira passada a província chinesa de Qinghai. Segundo os dados confirmados até o momento, a tragédia deixou mais de 2 mil mortos, 195 desaparecidos e 12.135 feridos, dos quais 1.434 se encontram em estado grave.

A porta-voz não quis sequer mencionar o nome do líder espiritual, considerado "persona non grata" pelo regime chinês. Segundo ela, o Governo e o povo fazem tudo o que podem para realizar os trabalhos de resgate e reconheceu que chineses no exterior, "inclusive compatriotas tibetanos", expressaram suas condolências.

A região do terremoto é um lugar especialmente delicado para o regime chinês, pois é habitada em mais de 90% por tibetanos, que acusam o regime central de repressão cultural e étnica.

No entanto, o regime chinês permitiu hoje ao sucessor do líder espiritual, o Panchen Lama, de promover nesta manhã um ritual pelas vítimas do terremoto no templo de Xihuang, em Pequim, informa a agência de notícias "Xinhua".

Os grupos religiosos chineses enviaram um total de US$ 2,93 milhões ao município de Yushu. O próprio Panchen Lama doou US$ 14,6 mil, informou "Xinhua". EFE mz/sa

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