Pequim expressa preocupação com decisão de TPI contra Bashir

Pequim, 15 jul (EFE).- O Governo chinês disse hoje que está muito preocupado com o pedido do Tribunal Penal Internacional (TPI) de uma ordem de detenção contra o presidente sudanês, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, pelo conflito na região de Darfur.

EFE |

"A China expressa sua grande preocupação e reservas em relação aos procuradores do TPI", assinalou o porta-voz de turno do Ministério de Assuntos Exteriores chinês, Liu Jianchao.

"O TPI teria que ajudar a salvaguardar a estabilidade da situação do Sudão e a conseguir uma solução adequada para a região, e não o contrário", assinalou o porta-voz chinês, cujo país, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, compra boa parte do petróleo do Governo de Bashir.

O Sudão rejeitou ontem o pedido do procurador-chefe do TPI, Luis Moreno Ocampo, alegando que, segundo o Governo sudanês, este tribunal não tem competência legal neste caso, já que o país africano não aceitou se juntar a essa corte internacional.

Quanto à possibilidade de que a China bloqueie a ação legal através de seu direito a veto no Conselho de Segurança (CE), Liu assinalou que está "consultando outros membros do CE e espera alcançar um consenso com as partes envolvidas".

Pequim, que tenta preservar sua imagem internacional faltando menos de um mês dos Jogos Olímpicos, se vê em uma encruzilhada, já que precisa do petróleo que compra do Sudão.

Seu apoio a Cartum já custou ao país diversas críticas da comunidade internacional e a recusa do cineasta Steven Spielberg de ajudar na preparação para a cerimônia de abertura dos Jogos, no dia 8 de agosto.

Ocampo acusou ontem Bashir de orquestrar um genocídio, de crimes contra a humanidade e de crimes de guerra em Darfur.

Calcula-se que pelo menos 200.000 pessoas perderam a vida no conflito que acontece desde 2003 entre forças rebeldes e tropas regulares sudanesas e milícias árabes respaldadas pelo Governo de Cartum.

Além disso, cerca de 2,5 milhões de pessoas foram obrigadas a se deslocar para campos de refugiados dentro e fora do país, no que segundo a ONU acredita ser um dos piores desastres humanitários da história.

Os países do CCG - Arábia Saudita, Kuwait, Catar, Barein, Omã e os Emirados Árabes Unidos - "respeitam a legalidade internacional, e respaldam todos os esforços destinados à conquista da estabilidade, a unidade e a soberania do Sudão", concluiu Attiyah. EFE mz/mh

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