Pequim eleva número de mortos em distúrbios e aumenta ataques a líder uigur

Antonio Broto. Pequim, 11 jul (EFE).- O Governo chinês elevou hoje para 184 o número de mortos nos distúrbios dos últimos dias em Urumqi, afirmou que três quartos das vítimas são chineses da etnia majoritária han e intensificou seus ataques contra Rebiya Kadeer, líder dos uigures no exílio.

EFE |

As autoridades da região de Xinjiang atualizaram nesta madrugada um número de mortos que não tinham modificado desde terça-feira, e pela primeira vez informaram a etnia dos falecidos, indicando que 137 eram chineses han (majoritários no país asiático) e 46 eram uigures muçulmanos.

Uma outra vítima era hui, outra etnia de credo islâmico. Do total de mortos, 157 eram homens e 27 mulheres.

As autoridades chinesas não detalharam quais dos falecidos morreram em 5 de julho - quando começaram os choques entre forças de segurança e manifestantes uigures, assim como ataques de membros desta etnia contra chineses han - ou em dias posteriores, nos quais houve linchamentos de han a uigures, como vingança.

O novo número de mortos foi oferecido pouco depois de se anunciar a reinstalação do toque de recolher noturno para prevenir novos incidentes.

Ontem, houve o fechamento de grande parte das mesquitas por ordem das autoridades, a que os uigures responderam com protestos e, em alguns casos, conseguiram entrar nos templos para orar.

As restrições às informações continuaram, com um corte total da internet em Urumqi há seis dias, além de impedimentos aos jornalistas.

Três repórteres foram detidos e levados à delegacia durante algumas horas.

Enquanto isso, o Governo chinês intensificou através de sua imprensa oficial os ataques contra a empresária uigur Rebiya Kadeer, a quem acusa de estar por trás dos distúrbios de 5 de julho e de usar provas errôneas em suas condenações a Pequim.

Um artigo da agência oficial "Xinhua" afirmou que Kadeer, de 62 anos e presidente do Congresso Mundial Uigur, "tem um estreito contato com organizações terroristas" e telefonou nos dias anteriores aos distúrbios para o irmão em Xinjiang, advertindo de que "aconteceria algo grande".

Ao mesmo tempo, em suas provas para mostrar a repressão policial de 5 de julho e em dias posteriores, a líder uigur caiu em erros e contradições, afirmou a "Xinhua".

Por exemplo, quando mostrou à televisão "Al Jazira" uma foto com centenas de policiais tomando supostamente as ruas de Urumqi, a agência alega que essa foto circula desde antes de 5 de julho em sites chineses, e embora mostre uma grande mobilização policial, foi tirada em outra cidade chinesa (Shishou), onde há poucos dias houve também graves distúrbios sociais.

O Congresso Mundial Uigur e outras associações uigures no exílio, concentradas em países como EUA, Alemanha, Suécia e Turquia, afirmam que os distúrbios são consequência de décadas de discriminação a seu povo, e que neles morreram 800 pessoas.

Kadeer afirma que sua organização é de caráter moderado e propõe, principalmente, melhorias sociais para os uigures.

A líder tem o apoio de organizações pró-direitos humanos como a Human Rights Watch (HRW), que nas últimas horas lançou um comunicado alertando contra o lançamento de uma possível "caça às bruxas" contra os uigures na China.

Fatos como a mobilização de 20 mil efetivos paramilitares em Urumqi "indicam que será lançada uma extensa e politizada campanha contra as comunidades uigures na região, em vez de realizar uma investigação imparcial e objetiva", afirmou a HRW, em Nova York.

O conflito ameaça se ramificar em atritos diplomáticos entre a China e a Turquia, país com fortes laços culturais, religiosos e linguísticos com os uigures e com outros povos turcomanos de Xinjiang e do resto da Ásia Central.

O tom de condenação das autoridades turcas aos incidentes em Urumqi vai aumentando. O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que os ataques sofridos pela minoria étnica uigur se assemelham a "um genocídio".

Um dia antes, o ministro da Indústria turco, Nihat Ergün, fez uma chamada ao boicote a produtos chineses, um ataque que a diplomacia chinesa, consultada pela Agência Efe, não quis responder, por enquanto.

Além disso, Erdogan prometeu que será concedido um visto a Kadeer para que vá a Istambul e se reúna com as várias organizações uigures existentes no país, apoiadas por movimentos islâmicos e nacionalistas turcos que propunham uma "Grande Turquia". EFE abc/an

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