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Pequim diz que advogado desaparecido está onde deve estar

O governo chinês mantém em segredo o paradeiro do advogado defensor dos direitos humanos Gao Zhisheng, candidato ao Prêmio Nobel da Paz de 2008, que foi detido há quase um ano e, segundo a polícia, está desaparecido.

EFE |

"Acho que as autoridades judiciais pertinentes decidiram sobre o caso, e deveríamos dizer que esta pessoa, segundo a lei chinesa, está onde deveria estar", disse, sem dar mais detalhes, Ma Zhaoxu, porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, ao responder sobre se Gao estava vivo e qual era seu paradeiro.

Ma Zhaoxu recomendou aos jornalistas que entrassem em contato com os departamentos "pertinentes".

No entanto, o Tribunal Superior de Pequim não se pronunciou sobre o caso de Gao, detido sem motivo expresso em fevereiro de 2009, e se recusa a identificar o paradeiro do detido.

Contatado nesta sexta-feira, a Agência de Segurança Pública de Pequim também evitou se pronunciar sobre o advogado.

Na semana passada, o irmão de Gao, Zhiyi, recebeu da polícia a resposta de que o advogado havia "desaparecido em 25 de setembro durante um passeio".

A esposa do detido, exilada nos Estados Unidos, pediu então às autoridades chinesas para que revelassem a situação de seu marido.

No entanto, as palavras do porta-voz indicam que se encontra sob custódia, algo que o advogado Teng Biao, amigo do desaparecido, considera "o mais provável". "A resposta de Ma não tem nenhuma lógica. Se foi capturado, a polícia deveria dizer onde está", disse Teng.

Para Teng, é "impossível" desaparecer sob custódia policial, já que ele próprio já foi detido em diversas ocasiões por defender casos de direitos humanos em seu país.

Entenda o caso

Gao Zhisheng foi detido por pelo menos sete policiais em 4 de fevereiro de 2009. O advogado defendeu vários seguidores da seita Falun Gong, ilegalizada por Pequim em 1999 e cujos membros dizem ser perseguidos e torturados pelo governo chinês.

O desaparecido foi detido após divulgar as torturas que ele mesmo sofreu em 2007 por parte de membros da Agência de Segurança do Estado por defender os membros da Falun Gong.

Ativistas creem que a polícia diz que Gao está "desaparecido" como parte do assédio psicológico habitual ao qual submete os familiares dos presos políticos.

Nos últimos anos, o governo chinês prendeu destacados defensores dos direitos humanos, além de ter retirado no ano passado as licenças de um grupo de advogados dedicados à defesa dos direitos humanos.

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