Pequim descumpre sua promessa de liberdade de manifestação e de imprensa

Pequim, 17 ago (EFE).- As forças de segurança detiveram ou mantêm sob vigilância pelo menos oito cidadãos chineses que tramitaram a solicitação para se manifestar nas três regiões designadas para tal fim, descumprindo assim seu compromisso olímpico.

EFE |

A ONG Chinese Human Rights Defenders (CHRD) culpou hoje o Governo chinês de descumprir seu compromisso assumidos por causa dos Jogos Olímpicos de permitir a liberdade de imprensa e de manifestação.

"A China castigou o povo que concedeu entrevistas (a jornalistas) ou solicitou permissões para se manifestar, o que rompe sua promessa de permitir a liberdade de imprensa e as manifestações nas 'regiões de protesto durante os Jogos", disse a organização em comunicado recebido hoje pela Efe.

"Se o Comitê Olímpico Internacional (COI) e os líderes dos EUA e a União Européia (UE) mantiverem seu silêncio, perante as promessas quebradas que receberam em troca de seus pedidos de liberdade, perderão sua credibilidade e se transformarão em cúmplices dos abusos da China Olímpica", acrescenta a nota.

A CHRD documenta três casos de desapropriados e ativistas que foram detidos após conceder entrevistas à imprensa estrangeira: Zhang Wei e Ma Xiulan, que se manifestaram ao sul de Praça da Paz Celestial, e Wang Guilan, que concedeu uma entrevista por telefone.

Outros oito peticionários foram detidos ou se encontram sob vigilância policial por "perturbar a ordem pública", após terem pedido a autorização para se manifestar nas três regiões atribuídas por Pequim para tal fim.

Os oito são He Xiul Ge Yifei, Chen Yunfei, Tang Xuecheng, Dan Chun, Li Jincheng, Liu Xueli e Ji Sizun, cidadãos de províncias que queriam denunciar em Pequim as corruptelas imobiliárias, expropriações ilegais e abusos policiais dos que são objeto.

Neste sentido, o jornal independente South China Morning Post qualifica de "truque" a designação das três regiões, o parque Ritan, o Purple Bamboo e o Beijing World, ainda hoje desertas.

As administrações destes três parques disseram ao jornal que ainda não receberam nenhuma ordem da Polícia para habilitar as zonas para protestos, enquanto o Birô de Segurança Pública não respondeu à pergunta de quantas solicitações receberam.

As áreas para protesto durante os Jogos Olímpicos foram criadas em Sydney 2000 e mantidas em Atenas 2004.

A maioria de protestos, pacíficos, foram feitos sem solicitação, como no caso dos ativistas estrangeiros da Free Tibete Campaign, que sabiam de antemão que não iam receber a permissão por serem considerados como uma "ameaça contra a união nacional".

Os ativistas pró-tibetanos, que realizaram protestos quase diariamente, foram detidos e deportados a seus países de origem.

Quanto ao Repórteres Sem Fronteiras (RSF), as autoridades chinesas negaram o visto aos membros do grupo que planejavam viajar para Pequim para pedir liberdade de imprensa.

"É uma prova de que o Governo chinês não tolera nenhuma forma de protesto", assinala Matt Whitticase, porta-voz da Free Tibete Campaign.

Segundo anunciaram os organizadores de Pequim 2008, em teoria pode-se conseguir uma permissão para se manifestar nas áreas designadas tramitando uma solicitação com uns dias de adiantamento.

Analistas consultados pelo jornal disseram que a China, governada pelo Partido Comunista desde 1949, perdeu sua grande oportunidade para limpar sua má imagem por violações de direitos humanos permitindo alguns protestos.

Aos casos anteriores é preciso acrescentar que vários jornalistas estrangeiros foram detidos e mal-tratados ao tentar cobrir supostos atentados com bomba no oeste da China, enquanto na quarta-feira foi detido um jornalista britânico que foi tomado por um ativista pró-tibetano, e os correspondentes denunciam que são observados e intimidados. EFE mz/ma

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