Pequim coloca meio milhão de seguranças nas ruas

A China vai colocar nas ruas de Pequim mais de 500 mil homens para fazer a segurança durante os Jogos Olímpicos, que começam na próxima sexta-feira. O governo do país investiu forte para garantir que a competição transcorra sem surpresas.

BBC Brasil |

O forte esquema de vigilância conta com mais de 110 mil homens e 400 mil voluntários monitorando as ruas e o sistema de transporte público da capital.

No metrô, todas os pertences dos passageiros já são compulsoriamente verificados em máquinas de raio-x e não é possível entrar com garrafas plásticas contendo líquidos.

A cada dia seis mil seguranças têm circulado à paisana nos 18 mil ônibus da cidade. Eles prestam atenção aos passageiros, para identificar qualquer atitude suspeita e volumes abandonados.

Outros 30 mil seguranças se encarregam de monitorar os terminais e paradas de ônibus.

"O metrô parece um aeroporto tal o nível de segurança que tem lá. Mas os atendentes são simpáticos e te pedem com gentileza pra abrir a bolsa, só que no dia-a-dia isso cansa a paciência de quem mora aqui", disse à BBC Brasil a brasileira Tarsila Lemos Borges, que mora em Pequim.

Anéis de trânsito
Quem anda de carro também não está livre da inspeção.

As autoridades montaram três anéis ao redor do centro da capital e os veículos precisam passar sistematicamente por barreiras de identificação desde o dia 20 de julho.

Aqueles que não têm placa da capital só podem trafegar apresentando uma licença. Sem a permissão, o veículo é expulso da cidade.

A medida tem gerado engarrafamentos leves, causando espera média de 10 minutos em cada barreira.

"É um esforço sem precedentes para eliminar potenciais riscos de segurança a seu tempo", disse à imprensa estatal o diretor do sistema de segurança das Olimpíadas, Liu Shaowu.

'Big brother'
Além da vigilância no trânsito, a China também interligou numa central os sistemas de vídeo particular de condomínios, hotéis e prédios comerciais da cidade, criando uma espécie de "Big Brother".

Ainda foram instaladas 300 mil câmeras extras nas ruas para monitorar o que se passa nas áreas públicas.

Um esquadrão especial contra terrorismo foi montado e 400 mil voluntários ficarão de olho nas comunidades de cada bairro para identificar e notificar à polícia sinais de distúrbios políticos, protestos ou tentativas de atentados.

A população recebeu um manual antiterror, que explica como reagir em 39 possíveis cenários de risco que incluem explosão, tiroteio, seqüestro e até ataque nuclear e químico.

Para descartar a possibilidades de qualquer ação terrorista, nenhum avião sobrevoará a capital durante a realização da cerimônia de abertura dos Jogos, na próxima sexta-feira.

Censura e repressão
O governo chinês alega preocupação com segurança para censurar a internet. Nem mesmo os jornalistas estrangeiros têm acesso irrestrito à rede.

A decisão do governo gerou críticas de organizações de direitos humanos.

"Não existe legitimidade no argumento do governo de que é necessário garantir a segurança a custo da liberdade. Isso é inconcebível", disse à BBC Brasil a porta-voz da Anistia Internacional, Josefina Salomon.

A ONG acusa o governo de desrespeitar os direitos humanos ao censurar e reprimir dissidentes.

O governo chinês teria "limpado" das ruas de Pequim ativistas "indesejáveis", mantendo-os sob prisão domiciliar ou em detenção sem julgamento em campos de trabalho forçado.

A preocupação com a vigilância é tanta que até mesmo simples turistas estariam no alvo de censura chinesa.

Na semana passada o senador norte-americano Sam Brownback disse ter recebido documentos de redes estrangeiras de hotéis operando em Pequim que comprovam que o partido comunista emitiu a ordem de instalar software de espionagem nos computadores dos estabelecimentos, para monitorar o acesso à internet feito pelos hóspedes.

Os hotéis que se recusassem a acatar a diretriz poderiam ter a licença comercial caçada além de ter de pagar uma multa de US$ 2.197, alegou o senador.

Protestos vetados
De acordo com o comitê organizador dos Jogos, por uma questão de segurança não será possível protestar nas áreas das competições ou nas ruas da cidade.

A prefeitura determinou que manifestantes se expressem somente dentro dos parques Zizhuyuan, Ritan e World Park, que ficam no noroeste, leste e sudoeste da cidade.

Entretanto, antes de organizar uma manifestação os ativistas precisam encaminhar com cinco dias de antecedência um pedido de licença à polícia.

As áreas não são imediatamente próximas aos lugares mais visados e muitas organizações não-governamentais reclamaram que a burocratização dos protestos é manobra injusta e de censura.

O governo diz que essas medidas foram impostas por questões de segurança.

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