Pequim chama padres estrangeiros para celebrar missas nos Jogos

PEQUIM (Reuters) - Igrejas católicas de Pequim vão contratar padres estrangeiros para celebrar missas e, assim, atender à demanda dos turistas presentes no país para ver os Jogos Olímpicos, afirmaram na terça-feira, citando autoridades da Igreja, meios de comunicação oficiais. As missas realizadas em francês, italiano e alemão devem aumentar de número nas grandes igrejas da cidade, disse a agência de notícias Xinhua, atribuindo a informação a uma autoridade do escritório de assuntos exteriores da Diocese Católica de Pequim.

Reuters |

'Apesar de os padres chineses serem capazes de falar várias línguas, os padres estrangeiros teriam um facilidade maior de celebrar as missas em línguas estrangeiras durante os Jogos', disse Yu Shuqin, da Diocese Católica de Pequim, segundo a Xinhua.

O Conselho Cristão da China mandou ainda imprimir 100 mil cópias da Bíblia e do Novo Testamento com o logotipo da Olimpíada na capa. Alguns dos livros já foram enviados para a Vila Olímpica e igrejas de Pequim e de outras cidades, onde ocorrerão alguns eventos dos Jogos, afirmou a Xinhua.

Os organizadores do evento disseram no ano passado que a proibição na Vila Olímpica de 'panfletos e materiais usados para qualquer tipo de atividade ou manifestação política ou religiosa' não se aplica às Bíblias pessoais de cada um.

A China, cujo Partido Comunista vê nos grupos religioso e de outros tipos uma ameaça a seu poder, exige que os fiéis frequentem as igrejas referendadas pelo Estado e costuma prender padres e pastores.

Meios de comunicação de Hong Kong disseram na semana passada que o conhecido pastor Zhang Mingxuan, presidente da Aliança Chinesa da Igreja do Lar, e a mulher dele haviam sido retirados de Pequim após sofrer pressões durante uma semana. As autoridades tentariam evitar que Zhang se reunisse com estrangeiros.

A China conta com cerca de 40 milhões de cristãos praticantes. Segundo estimativas feitas por especialistas, esse total divide-se mais ou menos pela metade entre os que frequentam as igrejas sancionadas pelo governo e os que frequentam igrejas ilegais.

(Reportagem de Ian Ransom)

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