Pequim acusa França de causar tensões entre China e UE

Pequim, 27 nov (EFE).- O Governo da China acusou hoje a França de ser a principal responsável pelas tensões entre o país asiático e a União Européia (UE), por causa dos planos do presidente francês Nicolas Sarkozy de se reunir com o Dalai Lama, e pediu a Paris que mude sua atitude pelo bem dos laços entre Pequim e o bloco.

EFE |

"Um velho provérbio chinês diz que quem causa o problema deve resolvê-lo, e não foi a China que criou a atual situação", declarou em entrevista coletiva o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês, Qin Gang, que pediu à França que "não tome medidas que magoem o povo chinês".

Na coletiva, Qin apontou em várias ocasiões o Governo francês como responsável pelo cancelamento da cúpula UE-China, prevista para 1º de dezembro em Lyon (França), apesar dos planos do Dalai Lama de também se reunir com outros líderes europeus e visitar a Polônia.

Sobre a visita do líder espiritual e político tibetano ao leste europeu, o porta-voz disse que o Governo chinês "se opõe a qualquer envolvimento do Dalai Lama em atividades separatistas na Polônia, assim como a qualquer contato ou reunião de líderes poloneses com ele".

No entanto, as principais críticas da fonte oficial se dirigiram à França, afirmando que a China "está confusa e muito insatisfeita" com a atitude de Paris, destacando ainda que a principal responsabilidade no fim das tensões cabe ao Palácio do Eliseu.

"A nova data para a cúpula UE-China dependerá de quando a França - que tem a Presidência rotativa do bloco europeu - tomará medidas concretas para criar as condições e a atmosfera necessárias para o encontro", afirmou.

Qin acrescentou que as boas relações entre China e Europa deveriam ser atualmente prioritárias, "para se adaptarem à crise financeira internacional e cooperarem em questões como segurança alimentar e mudança climática".

As relações entre China e UE também se desgastaram nas últimas semanas devido à concessão do prêmio Sakharov do Parlamento Europeu ao dissidente chinês Hu Jia, atualmente preso em Pequim por "subversão contra o Estado".

Nesta semana, uma delegação de parlamentares europeus em visita à China tentou entrar em contato com a mulher de Hu, a também dissidente Zeng Jinyan, mas a Polícia os impediu de entrar na residência do casal após uma tensa resistência, destacou um comunicado da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF).

O porta-voz chinês comentou hoje o caso, afirmando que os parlamentares da UE são "hóspedes da China e são tratados com respeito", e disse que Zeng não está sob nenhum tipo de prisão domiciliar.

O Governo da China afirmou hoje a alguns países da União Européia (UE) que o adiamento sine die (por tempo indeterminado) da cúpula China-UE não prejudicará a relação bilateral.

Os embaixadores dos países-membros da UE na China foram informados hoje pelo ministro adjunto de Assuntos Exteriores encarregado da Europa, Wu Hongbo, que "apesar do grande esforço feito, não há condições adequadas para realizá-la".

O ministro adjunto chinês não aceitou alegações de que se tratava de uma decisão unilateral da França, e não da Presidência da UE, e de que isto não teria por que prejudicar a realização da cúpula. EFE abc/ev/fal

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