Pequenos terremotos evitam tremores mais fortes, diz estudo

Uma pesquisa americana sugere que pequenos tremores de terra, imperceptíveis e que liberam sua energia durante horas, podem evitar a ocorrência de tremores mais violentos em uma região de atividades sísmicas de Taiwan. Os pesquisadores da Instituição Carnegie para Ciência, dos Estados Unidos, também descobriram que estes pequenos terremotos imperceptíveis podem ser desencadeados por tufões naquela região.

BBC Brasil |

As mudanças de pressão causadas pelos tufões podem "desprender" uma falha na área de atividade sísmica.

Esta liberação causa um terremoto que dissipa sua energia durante várias horas, ao invés de liberar tudo de uma vez em poucos segundos, o que poderia ser devastador.

Os pesquisadores acreditam que este fato pode explicar a razão de ocorrerem relativamente poucos grandes terremotos nesta região.

A pesquisa foi publicada na revista especializada Nature.

Movimentos monitorados
Alan Linde, da Instituição Carnegie para Ciência, e seus colegas monitoraram o movimento de duas placas tectônicas em colisão, no leste de Taiwan.

Eles usaram três medidores de pressão, instrumentos muito sensíveis que foram posicionados por meio de perfurações profundas no solo.

"Estes (instrumentos) detectam movimentos imperceptíveis e distorções da rocha", explicou outra autora da pesquisa, Selwyn Sacks, também da Instituição Carnegie.

Os instrumentos captaram 20 "terremotos lentos", cada um com duração que variava de várias horas até mais de um dia. Destes, 11 coincidiram exatamente com tufões.

"É raro quando você vê algo tão definitivo, especialmente algo novo", afirmou Alan Linde à BBC.

As descobertas podem fornecer novas pistas que expliquem a razão de ocorrerem relativamente poucos terremotos mais fortes nesta região.

Montanhas
Na região de Taiwan, as placas tectônicas colidem tão rapidamente que elas, na verdade, "fazem" montanhas em uma taxa de quase quatro milímetros por ano.

"É surpreendente que esta área do globo não tenha tido terremotos devastadores e tenha relativamente poucos grandes tremores", afirmou Linde.

"Para comparar, o Canal de Nakai, no sudoeste do Japão, tem uma taxa de convergência de placas de cerca de quatro centímetros por ano, e isto causa terremotos cuja magnitude chega a 8 graus na Escala Richter a cada 100 ou 150 anos."
"A atividade no sul de Taiwan vem da convergência das mesmas duas placas, e também há a Placa do Mar das Filipinas, que empurra a Placa Eurasiana com o dobro daquela taxa"
"Esta falha passa por, mais ou menos, constante pressão e acúmulo de estresse", acrescentou.

Linde descreveu como a falha "afunda de forma inclinada" de perto da costa leste em direção oeste. Então, o lado da terra está sob constante pressão para se mover para cima.

Quando um tufão passa sobre a terra, a pressão do ar em terra firme cai. Esta mudança "desprende" a falha e permite que se mova.

"Mas esta mudança é muito pequena", afirmou Linde.

Os terremotos frequentes e lentos que isto causa são "totalmente imperceptíveis" para quem está na terra. E, para Linde, pode se supor que eles podem reduzir a frequência dos terremotos mais fortes e devastadores.

Mas, o cientista alerta que isto é extremamente difícil de demonstrar. "Como você prova algo que não aconteceu?", pergunta.

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