Pentágono suspende programa voltado a dar imagem positiva do Iraque

Washington, 28 abr (EFE) - O Pentágono suspendeu o programa pelo qual fornecia informação sobre o Iraque a militares aposentados que, depois, apareciam em veículos de comunicação como analistas para dar uma imagem positiva da guerra. O porta-voz do Departamento de Defesa americano, Bryan Whitman, qualificou hoje a suspensão do polêmico programa de temporária para que o Pentágono possa revisar sua aplicação e determinar se violava ou não as normas internas. A suspensão do programa ocorre uma semana depois que o jornal The New York Times revelou que o Pentágono cultivou desde 2002 várias dúzias de analistas em matéria de defesa para gerar, através de uma campanha de persuasão, uma cobertura propícia à Guerra do Iraque na imprensa. Os militares aposentados apareceram em dezenas de milhares de ocasiões na televisão e na rádio, onde falaram favoravelmente sobre Iraque, Afeganistão e a luta antiterrorista em geral. Por causa da notícia publicada no New York Times, vários congressistas democratas expressaram sua irritação com o programa e exigiram que o Pentágono o investigue. O ex-secretário de Defesa Donald Rumsfeld iniciou em 2003 a fornecer informação a militares aposentados, pouco antes da invasão do Iraque. O jornal nova-iorquino afirmou que o Governo do presidente americano, George W. Bush, usou os analistas como uma espécie de cavalo de Tróia na imprensa, um instrumento para moldar a cobertura midiática da luta antiterrorista.

EFE |

Segundo o "Times", os analistas, muitos deles relacionados com militares de empresas terceirizadas, receberam "centenas" de reuniões informativas privadas com autoridades do Ministério de Defesa e tiveram acesso à informação classificada em viagens pagas pelo Pentágono ao Iraque e à base naval de Guantánamo, em Cuba.

Muitos dos analistas utilizados como "mensageiros" pelo Governo têm vínculos com as mais influentes empresas de defesa no país e representam a mais de 150 militares de companhias terceirizados, seja em qualidade de consultores, executivos, ou membros de suas juntas diretivas, segundo o jornal.

O programa foi administrado pelo escritório de Relações Públicas do Departamento de Defesa que será investigado também, segundo Whitman, que acredita que nenhuma lei foi violada. EFE cae/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG