Pentágono promoveu tortura a prisioneiros, revela investigação do Senado

Uma investigação do Senado publicada nesta quarta-feira descobriu que uma pequena e pouco conhecida seção do Pentágono, que treinava militares americanos para resistir a interrogatórios, promoveu a aplicação de tortura a prisioneiros da guerra contra o terrorismo, na administração George W. Bush.

AFP |

A investigação também concluiu que os advertências de advogados militares sobre a ilegalidade da tortura foram ignoradas pelos responsáveis.

O Senado analisou as técnicas de interrogatório usadas na base americana de Guantánamo (Cuba), no Afeganistão e no Iraque por parte da Joint Personel Recovery Agency (JPRA), do Pentágono.

A agência é a encarregada do programa de treinamento militar 'Sobrevivência, Evasão, Resistência e Fuga' (SERE), que prepara os militares para resistir a interrogatórios em caso de captura pelo inimigo.

As técnicas utilizadas neste programa são similares as empregadas pelo Exército americano contra prisioneiros em Abu Ghraib (Iraque) e Guantánamo: despir os presos, colocá-los em posições incômodas, golpeá-los, humilhá-los, tratá-los como animais, impedi-los de dormir e submetê-los a música altíssima, luzes intensas e temperaturas extremas.

As técnicas de tortura também incluíam o "submarino", uma técnica de afogamento, com o prisioneiro é impedido de respirar.

A investigação do Senado concluiu que após os ataques do 11 de setembro, este programa de treinamento para resistir à tortura foi completamente invertido por altos oficiais e funcionários civis do Pentágono, com o objetivo de aplicar os métodos do programa SERE aos interrogatórios de presos da chamada "guerra contra o terrorismo".

O gabinete do presidente Bush e outros altos funcionários do governo realizaram reuniões na Casa Branca para discutir técnicas de interrogatório específicas, destaca o relatório do Senado.

No início de 2002, a CIA buscou aprovação para os interrogatórios de presos envolvidos com a rede terrorista Al-Qaeda, o que levou a reuniões entre seu então diretor, George Tenet, com funcionários da Casa Branca e do Conselho de Segurança Nacional, das quais participaram o procurador-geral, John Ashcroft, e o secretário da Defensa, Donald Rumsfeld.

Em 1º de agosto de 2002, o departamento de Justiça emitiu dois relatórios nos quais aprovava o uso do "submarino" nos interrogatórios.

Em setembro, um grupo de interrogadores de Guantánamo viajou a Fort Bragg (Carolina do Norte) para receber treinamento no programa SERE.

Os principais advogados do Pentágono, dirigentes da CIA e o vice-presidente Dick Cheney viajaram a Guantánamo no dia 25 de setembro de 2002 e uma semana depois dois especialistas em comportamento da prisão propuseram novas técnicas de interrogatório.

Um destes especialistas disse aos investigadores do Senado que havia "uma crescente pressão para 'endurecer' os interrogatórios em Guantánamo.

Na terça-feira, o presidente Barack Obama abriu a porta para o julgamento dos autores da doutrina jurídica que permitiu a aplicação de tortura em prisões sob o controle das forças americanas.

Obama estimou que seria "impróprio" julgar os agentes que torturaram, mas justificou uma ação legal contra os ideólogos que permitiram esta práticas por parte da CIA.

Nesta quarta-feira, o porta-voz da presidência, Robert Gibbs, destacou que não compete a Obama decidir quem se investiga ou não: "Não é o presidente que determina quem violou a lei. Os procuradores envolvidos no caso são totalmente capazes de determinar se alguma lei foi violada".

jm/LR/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG