Pentágono estuda abolir lei contra serviço militar de homossexuais

María Peña. Washington, 2 fev (EFE).- As máximas autoridades do Pentágono apoiaram hoje diante do Senado a ideia de abolir uma polêmica lei de 1993 que proíbe a participação de homossexuais nas Forças Armadas dos Estados Unidos.

EFE |

Durante uma audiência no Comitê de Serviços Armados do Senado, tanto o secretário de Defesa, Robert Gates, quanto o chefe do Estado-Maior Conjunto, o almirante Mike Mullen, sugeriram que é hora de eliminar essa barreira para os soldados homossexuais.

Gates anunciou que um grupo de trabalho revisará o impacto da possível anulação da lei, que proíbe os soldados homossexuais de divulgarem sua orientação sexual e os demais militares de falarem sobre o tema.

Esta é apenas a primeira audiência no Congresso sobre o assunto.

Na semana passada, o presidente Barack Obama repetiu a promessa de abolir a lei.

"Recebemos essa ordem do comandante-em-Chefe (Obama) e estamos atuando conforme esse pedido. Não é muito, no entanto, o que podemos fazer neste processo porque a decisão final será dos senadores", assinalou Gates.

Se a lei for anulada, conhecida em inglês como "Don't ask, don't tell" (DADT), algo como "Não pergunte e eu não falo", seria a primeira vez na história dos EUA que os soldados abertamente homossexuais poderiam prestar serviço sem temor de represálias.

Conforme observadores, também seria a maior transformação das Forças Armadas desde a ordem executiva de 1948 que integrou os negros às fileiras.

Gates disse que o grupo de trabalho, que terá um ano para entregar as devidas recomendações, será liderado pelo principal advogado do Pentágono, Jeb C. Johnson, e pelo general Carter F. Ham, comandante do Exército dos EUA na Europa.

Acrescentou que, enquanto isso, o Pentágono estudará a maneira de aplicar a lei atual "de forma mais justa e humana", em alusão à possibilidade que as autoridades militares não farão represálias aos soldados homossexuais cuja orientação tenha sido revelada por terceiros.

Gates disse que o Pentágono tem um prazo de 45 dias para fazer uma recomendação com relação ao assunto.

Mullen afirmou que a lei em vigor só conseguiu que "os homens e mulheres mintam sobre quem são para poderem servir às forças armadas".

"O correto seria permitir que os homossexuais pudessem prestar serviço", assegurou Mullen.

Atualmente, os homossexuais podem prestar serviço militar sempre e quando não divulguem sua orientação sexual.

De acordo com os ativistas, essa lei fomentou nas fileiras uma cultura de delação na qual uma pessoa com vontade de vingança provocava, eventualmente, a saída de um soldado homossexual.

Pelo menos 11 mil soldados foram expulsos das Forças Armadas sob a lei de 1993, concebida como "meio termo" entre o Governo do então presidente Bill Clinton, que queria levantar a proibição de homossexuais, por considerar que produzia o resultado oposto.

Calcula-se que os EUA tenham 1,4 milhão de soldados na ativa.

A ideia de reverter a lei encontrou resistência de líderes republicanos como o senador do Arizona e veterano de guerra, John McCain, que sugeriu que neste não é o momento mais oportuno.

"Isto representaria uma mudança substancial e controvertida de uma política que teve êxito durante duas décadas. Seria outro enorme desafio para nossas forças em um momento difícil e extremamente estressante", manifestou McCain.

Embora a política atual não seja "idônea" pelo menos foi "eficaz", argumentou o ex-candidato presidencial e republicano de maior categoria no Comitê.

Com base na promessa feita por Obama no dia 27, o grupo defensor de homossexuais, Human Rights Campaign, prevê lançar uma "robusta campanha" de pressão contra a lei.

A campanha buscará gerar uma extensa cobertura da mídia por meio da mobilização de veteranos de guerra e de eleitores para a votação final sobre o assunto.

Gates e Mullen aproveitaram a audiência para explicar e defender a solicitação orçamentária do Pentágono para o ano fiscal 2011, que totaliza US$ 768 bilhões. EFE mp/dm

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