Pentágono deve classificar ciberataques como 'atos de guerra'

Classificação, que deve ser confirmada em relatório a ser publicado, abre caminho para retaliações que incluam uso de força militar

iG São Paulo |

O Pentágono está formulando uma nova estratégia que deve classificar os grandes ataques cibernéticos como atos de guerra, abrindo o caminho para possíveis represálias que incluiriam uso de forma militar, confirmou na noite de terça-feira o porta-voz David Lapan.

No futuro, o presidente dos EUA poderia considerar sanções econômicas, retaliação cibernética ou uma ação militar se os sistemas de computador dos EUA forem atingidos. Ao plano foi dado um sentido de urgência após uma ataque virtual contra a empresa de Defesa Lockheed Martin.

Segundo Lapan, se o ataque for suficientemente sério, "uma resposta a um ciberincidente ou atentado contra os EUA não seria necessariamente uma resposta cibernética. Todas as opções apropriadas estariam sobre a mesa."

Espera-se que a parte final da "Estratégia de Defesa para Operação no Ciberespaço" seja divulgada em dois ou três semanas. Mas a maioria dela já foi discutida durante meses por várias autoridades do governo, incluindo a Casa Branca e o vice-secretário de Defesa William Lynn.

Em maio, a Casa Branca divulgou a Estratégia Internacional para o Ciberespaço. Ela diz que "nos reservamos o direito de usar todos os meios necessários - diplomáticos, informativos, militares e econômicos - como apropriados e consistentes com a lei internacional para defender nossa nação, nossos valores, aliados, parceiros ou nossos interesses".

A Casa Branca espera que essa política desencoraje ataques cibernéticos. "Há certamente um efeito de dissuasão de deixar nossos adversários saberem como consideraríamos essas ações e quais passos adotaríamos", disse Lapan.

A informação havia sido antecipada na segunda-feira pelo Wall Street Journal. Segundo o jornal, a estratégia é uma advertência aos inimigos que podem tentar sabotar a rede de eletricidade do país, os sistemas de metrô ou as tubulações. "Se você apaga nossa rede elétrica, talvez nós disparemos um míssil na sua chaminé", afirmou uma fonte militar ao comentar a nova estratégia.

A decisão de formalizar as regras da guerra cibernética é tomada após vários ataques cibernéticos importantes nos últimos anos.O mais recente aconteceu no fim de semana. A Lockheed Martin, uma das maiores empresas do mundo no setor de defesa, informou que estava investigando a fonte de um ataque cibernético "significativo e tenaz" contra sua rede de informação há uma semana. O presidente Barack Obama foi informado sobre o ataque.

*Com AFP

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