Pelo menos sete mortos em confrontos em Beirute

Pelo menos sete pessoas morreram hoje em combates em Beirute entre seguidores do governo sunita e membros do movimento xiita Hezbollah, anunciaram à AFP fontes da segurança e hospitalares.

AFP |

Entre os mortos há pelo menos duas mulheres e pelo menos outras 13 pessoas feridas, informaram.

Um funcionário do hospital Makassed da capital anunciou ter recebido 30 feridos, quatro deles em situação grave.

Os confrontos entre partidários da oposição e da maioria governamental anti-síria começaram ontem em Beirute durante uma greve e se estenderam hoje a Bekaa (leste) e Trípoli (norte), depois que o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, fizesse uma "declaração de guerra" contra recentes decisões do governo sobre o grupo xiita.

A França considerou hoje "preocupante" a situação libanesa, em comunicado divulgado pelo ministério das Relações Exteriores.

Paris "reitera seu apoio ao governo do Líbano assim como ao exército em suas missões e prerrogativas constitucionais, em particular na preservação da estabilidade e da segurança do país".

"Observamos com a maior atenção a evolução da situação, sobretudo para garantir a segurança da comunidade francesa", precisou o ministério.

Os combates começaram nos bairros de Corniche Al Mazraa, Basta, Nuairi e Ras El Nabeh. Todos são bairros mistos, onde co-habitam sunitas, da maioria parlamentaria anti-síria, e xiitas, da oposição.

As autoridades libanesas decidiram última terça-feira investigar uma rede de telecomunicações que teria sido instalada pelo Hezbollah no país, e destituíram o chefe da segurança do aeroporto de Beirute, por ligações com o movimento xiita.

Essas decisões foram classificadas nesta quinta-feira como uma "declaração de guerra" por Nasrallah, que alertou que o movimento xiita libanês não descarta recorrer às armas "para defender a resistência" no interior do país.

O Hezbollah justificou a existência da rede de telecomunicações: faz parte da "resistência contra Israel" e por razões de segurança.

"Nossa resposta a essa declaração de guerra é nosso direito de defesa, defender nossa resistência, nossas armas e nossa existência", ressaltou Nasrallah em uma videoconferência.

O dirigente da maioria parlamentaria anti-síria do Líbano, o sunita Saad Hariri, convidou Nasrallah a pôr um ponto final à "situação" de confronto em Beirute.

"Exijo um fim da atual situação em Beirute, com o bloqueio ao aeroporto e homens armados das ruas", declarou Hariri em discurso televisionado.

"Beirute não abaixará a cabeça perante ninguém. Beirute não se submeterá", avisou.

Hariri pediu também a eleição para a presidência do país do candidato de consenso, o chefe do exército Michel Sleimane e a instauração do diálogo nacional.

O Conselho de Segurança da ONU expressou seu apoio às instituições estatais do Líbano e pediu calma e a reabertura das estradas do país.

"Os membros do Conselho de Segurança estão profundamente preocupados com os enfrentamentos e os atuais problemas no Líbano, incluindo os bloqueios das estradas e do aeroporto internacional de Beirute", declarou o embaixador do Reino Unido, John Sawers, em nome do Conselho.

Segundo o emissário da ONU no Oriente Médio, Terje Roed-Larsen, o Hezbollah dispõe de uma estrutura "paramilitar" que constitui uma ameaça para a paz e a segurança regional.

A Casa Branca exigiu nesta quinta-feira que o Hezbollah pare imediatamente de "semear a violência" no Líbano.

"O Hezbollah precisa tomar uma dessas opções: ou ser uma organização terrorista ou ser um partido político, mas deve deixar de tentar ser ambas", disse o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional americano, Gordon Johndroe.

O discurso de Nasrallah é "um ato cínico de manipulação", acrescentou o porta-voz do departamento de Estado, Sean McCormack.

O Líbano atravessa a crise política mais grave desde o final da guerra civil em 1990. O país está sem presidente desde 24 de novembro, já que as partes não entram em um acordo sobre como dividir o poder.

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