Pelo menos oito pessoas morreram nas manifestações de domingo contra o governo no Irã, informou nesta segunda-feira o canal em inglês estatal Press-TV, que citou um balanço do Conselho Supremo de Segurança Nacional (SNSC).

Um pouco antes, no entanto, o canal de TV público iraniano em persa anunciou que mais de 15 pessoas morreram nos protestos de domingo.

"Uma fonte do Conselho Supremo de Segurança Nacional informou a Press-TV que o balanço total de mortos durante as manifestações de domingo no país é de oito", afirma a Press-TV em seu site.

No entanto, com base em informações do ministério da Informação, o canal estatal em persa informou que cinco vítimas morreram vítimas de "grupos terroristas" e que "mais de 10 membros de grupos antirrevolucionários faleceram em condições não determinadas".

Até o momento, nenhum outro meio de comunicação oficial do país confirmou a informação.

Os sites na internet da oposição anunciaram pelo menos cinco mortos no domingo, quatro deles vítimas de tiros.

Um comunicado da polícia divulgado na noite de domingo confirmou o balanço de cinco mortes e destacou que as vítimas faleceram em "condições suspeitas". Também informava a abertura de uma investigação.

De acordo com o site dos parlamentares da oposição, o Parlemannews.ir, a polícia prendeu nesta segunda-feira duas pessoas ligadas ao ex-presidente reformista Mohammad Khatami e três assessores do líder da oposição Mir Hossein Mousavi.

Morteza Haji, ex-ministro e diretor da fundação Baran, de Khatami, e o adjunto deste, Hassan Rasuli, foram detidos, segundo a página na internet.

Os serviços de segurança também prenderam três dos mais importantes conselheiros do ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi, que se tornou um dos líderes da oposição ao presidente Mahmud Ahmadinejad desde as eleições de junho.

Os três detidos são Ali Reza Beheshti, Gorban Bezadian-Nejad e Mohammad Bagerian, de acordo com o Parlemannews.

Além disso, o ex-ministro das Relações Exteriores Ibrahim Yazdi, líder do Movimento de Libertação do Irã (MLI, oposição liberal), foi detido em casa pelos serviços de segurança, informa o site opositor Rahezabz.

"Membros dos serviços de segurança prenderam Yazdi às três da manhã na casa dele e o levaram para um local desconhecido", afirma o portal.

Na semana passada, o líder do MLI, um movimento de oposição sem existência legal, mas tolerado há vários anos, foi convocado ao ministério da Informação, mas não compareceu à convocação.

Yazdi, 78 anos, foi chanceler do país no efêmero governo de Mehdi Bazargan, no início da revolução islâmica de 1979.

Secretário-geral do MLI, movimento de inspiração liberal que já teve muitos integrantes detidos, Yazdi foi preso em 1997 antes de ser colocado em liberdade vigiada. Ele voltou a ser detido durante os protestos após a polêmica reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad em 12 de junho.

Outra prisão de uma figura importante foi a do jornalista e militante dos direitos humanos Emadedin Baghi, segundo o mesmo Rahesabz.

Baghi, que dirige a Associação para a Defesa dos Presos, recebeu o Prêmio dos Direitos Humanos da República Francesa em 2005 por sua campanha a favor do fim da pena de morte.

O militante, que foi detido várias vezes nos últimos anos, também foi designado "jornalista do ano" pela imprensa britânica em 2008.

Além disso, a Dubai Media Corporation (DMC), entidade que dirige os meios de comunicação do emirado de Dubai, confirmou o desaparecimento do jornalista sírio Reza al-Basha, de 27 anos e que trabalha para a Dubai TV, em Teerã.

Um dos diretores da DMC, Ahmed Abdallah al-Sheikh, afirmou que o contato com o jornalista, que colabora há um ano com o grupo, foi perdido quando Basha estava perto de casa em Teerã e não estava trabalhando no momento.

Ele disse ainda que a DMC está em contato com as autoridades iranianas para tentar localizar o jornalista.

As autoridades iranianas proíbem, a princípio, a cobertura de jornalistas que trabalham para a imprensa estrangeira nas manifestações da oposição. Mas os protestos de domingo, que não haviam sido anunciados, aconteceram simultaneamente em vários pontos da capital de modo paralelo às procissões de celebração da festa xiita da Ashura, sobre as quais a imprensa internacional informa habitualmente.

Um jornalista da AFP foi detido em 4 de novembro quando estava em uma área onde acontecia uma manifestação oficial autorizada, perto da qual teve início um protesto de opositores. O repórter foi liberado após quatro dias de detenção.

bur-lma/fp

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