Pelo menos 4 turcos morrem em ataque de Israel

Ação israelense contra frota humanitária estremece relação com a Turquia, principal aliado muçulmano de Israel

iG São Paulo |

Pelo menos quatro turcos morreram no ataque de segunda-feira de militares israelenses contra uma frota de ajuda humanitária à Faixa Gaza, que está sob bloqueio israelense desde 2007, quando o grupo islâmico Hamas assumiu o controle do território ao expulsar as forças do partido laico Fatah.

AP
Militante palestino segura bandeira turca em frente a pneus em chamas na entrada do campo de refugiados de Ein el-Hilweh, no Líbano, durante protesto contra Israel
O ataque  contra a missão humanitária, em que participavam muitos cidadãos turcos, foi caracterizado como "massacre" pelo primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan. Até o ataque, a Turquia era o aliado muçulmano mais próximo de Israel.

"Segundo as autoridades israelenses, nove pessoas morreram na ação. Até o momento determinamos que quatro delas eram cidadãos turcos", afirmou o Ministério de Exteriores da Turquia. "O número pode aumentar, já que o processo de identificação prossegue", completou. As autoridades de Israel afirmaram que continuam investigando a nacionalidade das outras cinco vítimas.

O ministério indicou ter recebido informações das autoridades israelenses sobre a identidade dos quatro turcos mortos no navio "Mavi Marmara", que foi alvo do ataque de um comando do Exército israelense. O órgão acrescentou que entrou em contato com as famílias das vítimas identificadas, mas não divulgou seus nomes à imprensa.

Segundo a emissora "CNN-Turk", um dos mortos é Ibrahim Bilgen, de 60 anos, procedente da Província de Siirt, que fica no sudeste do país.

As associações turcas de jornalistas publicaram uma declaração na qual pedem a Israel que liberte imediatamente seus colegas que estavam no comboio naval com ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Essas associações disseram não ter conseguido entrar em contato com os jornalistas da frota.

Reação da Turquia

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou nesta terça-feira que Israel deve ser "castigado" pelo "massacre sangrento" no ataque, advertindo o Estado hebreu sobre o risco de pôr à prova a paciência da Turquia. "O sangrento massacre perpetrado por Israel contra nossos barcos que levavam ajuda para Gaza deve ser condenado", disse aos deputados do governista Partido de Justiça e Desenvolvimento, em um discurso inflamado.

"Esse ataque irresponsável e insolente de Israel, que foi realizado contra a legalidade e pisoteando a honra humana, deve ser castigado sem dúvida nenhuma", insistiu, em meio a aplausos. "Ninguém deve pôr à prova a paciência da Turquia", acrescentou. "A comunidade internacional deve dizer 'não' às agressões de Israel", proclamou o chefe do governo turco.

Envio de ajuda

A Turquia enviou nesta terça-feira três aviões a Israel para transportar os cidadãos turcos feridos no ataque, informou o governo turco. As três aeronaves são aviões ambulância e dois deles pertencem ao Estado-Maior do Exército e o terceiro ao Ministério da Saúde.

Um dos aviões voou para Haifa, no norte de Israel, e os outros dois para Tel Aviv, onde buscarão os 20 turcos feridos no ataque de segunda. Os feridos serão hospitalizados em diversos centros médicos de Ancara, capital turca.

Também começaram a chegar à Turquia os membros da frota deportados pelo governo israelense. Um casal com seu filho de 13 meses chegou a seu país de origem. Eles asseguraram que três turcos feridos gravemente durante o ataque foram levados algemados em helicópteros militares ao porto de Ashdod, no sul de Israel.

AP
Nilufer Cetin segura seu filho Kaan, de 1 ano, no aeroporto de Istambul após voltar de Israel. Ela estava com a criança na frota atacada por Israel em 31/05/2010
Por outra parte, o Governo turco anunciou hoje que ordenou que a companhia aérea nacional Turkish Airlines mantenha preparados três aviões para garantir uma volta segura aos membros da frota que sejam deportados por Israel. 

*Com EFE e AFP

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