Pelo menos 380 mil abandonaram casas devido a conflitos na Colômbia, diz Anistia

Um relatório da Anistia Internacional afirma que pelo menos 380 mil pessoas tiveram que abandonar suas casas em 2008 na Colômbia devido ao conflito armado do país. O número significa um aumento de mais de 24% em relação ao registrado em 2007 e o país agora tem entre 3 e 4 milhões de deslocados internos, o equivalente a toda a população do Uruguai, segundo a Anistia, o que faz da Colômbia um dos países do mundo com maior número de deslocados internos.

BBC Brasil |

A organização afirma que outros 500 mil colombianos fugiram do conflito armado indo para países vizinhos.

A grande maioria dos afetados é composta de indígenas, afro-descendentes e camponeses, muitos deles vivendo em áreas de interesse dos participantes do conflito armado na Colômbia, que já dura 40 anos.

Muitos destes grupos, de acordo com a Anistia, foram deliberadamente atingidos por grupos de guerrilha, paramilitares e forças de segurança como parte de estratégias cujo objetivo é remover comunidades inteiras de áreas de importância militar, estratégica ou econômica.

"Mentiras"
Os números relatados pela Anistia são baseados em informações de um grupo local de defesa dos direitos humanos, o Centro para Direitos Humanos e Deslocados (Codhes), que relatou que em abril ocorreu um aumento de 25% no número de deslocados internos no país.

Naquela época o departamento do governo colombiano dedicado à ajuda aos deslocados, a Acción Social, afirmou que ocorreu um aumento, mas também disse que algumas pessoas mentiam, alegando que foram obrigadas a abandonar suas casas para se qualificarem para receber uma indenização.

De acordo com os números do governo, 2,9 milhões de pessoas tiveram que abandonar suas casas na Colômbia entre 1997 e 2008.

A Anistia Internacional afirma que a maior parte da riqueza acumulada pelos grupos paramilitares e os que os apoiam na política e negócios da Colômbia, está baseada na apropriação indébita da terra por meio de violência ou ameaça de violência.

Algumas estimativas afirmam que entre 4 e 6 milhões de hectares de terra de propriedade de milhares de camponeses, indígenas e afro-descendentes foram roubados desta forma.

O grupo de defesa dos direitos humanos pede que as autoridades colombianas tomem providências para evitar que estas pessoas sejam obrigadas a abandonar suas casas, melhore a proteção de civis e identifique e devolva todas as terras tomadas e outros bens para os verdadeiros donos e suas famílias.

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