Pelo menos 18 mortos em atentado suicida no Afeganistão

Onze policiais e sete civis morreram nesta terça-feira em um novo atentado suicida talibã no leste do Afeganistão, enquanto as tropas americanas e britânicas lançavam uma grande ofensiva em uma região de forte influência insurgente no sul do país.

AFP |

O atentado ocorreu no povoado de Khogyani, próximo à cidade de Jalalabad, durante uma reunião de autoridades administrativas e policiais para discutir o combate ao ópio.

O Afeganistão é o maior produtor mundial de ópio e os talibãs financiam sua insurreição com o comércio dessa substância entorpecente.

Trinta e uma pessoas ficaram feridas, indicou o Ministério do Interior em um comunicado, acrescentando que "este atentado mostra a relação entre a produção de ópio e os círculos terroristas".

Para a Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), este atentado "ilustra de maneira clara a colaboração entre terroristas e traficantes de drogas".

Alguns militares da Aliança Atlântica estavam próximos do local do atentado, mas nenhum deles foi atingido, declarou à AFP o major Martin O'Donnell, porta-voz da Isaf.

O ataque foi registrado no momento em que autoridades do governo local e policiais explicavam aos moradores do povoado a necessidade de se abandonar o cultivo da papoula, matéria-prima do ópio, contou à AFP um dos feridos, que foi levado ao hospital de Jalalabad.

Os insurgentes atacaram disparando primeiro com armas leves e lança-foguetes antes de um terrorista suicida explodir a carga que transportava no meio da reunião, explicou à AFP o major O'Donnel.

"Um jovem se aproximou dizendo que queria se inscrever em não sei o que", lembrou o ferido que, em seguida, viu "uma grande chama vermelha e uma forte explosão".

"O atentado foi cometido por um de nós, chamado Abdullah", declarou por telefone à AFP um homem que se identificou como o comandante talibã Qari Sajad.

Enquanto isso, no sul, soldados britânicos e marines americanos lançaram uma nova operação na província de Helmand, reduto da resistência extremista talibã no Afeganistão, informou nesta terça-feira a Isaf em um comunicado.

A operação é a mais significativa realizada nos últimos meses nessa conturbada região localizada na fronteira com o Paquistão.

Seu objetivo é "reforçar a segurança dos civis afegãos" no distrito de Garmser, acrescentou a nota.

A operação foi chamada de "Azada Wosa", o que significa "Sejam Livres" em pashtum, língua predominante no sul e no leste do Afeganistão.

As unidades do 24º Corpo Expedicionário dos marines envolvidas na ação têm suas bases na província próxima de Kandahar.

As forças britânicas são as responsáveis pelos destacamentos da Isaf em Helmand.

Helmand é uma grande província desértica com uma longa fronteira com as zonas tribais do noroeste paquistanês, onde os talibãs e a Al-Qaeda reconstituíram suas forças com o apoio das tribos locais.

A Isaf pretende reforçar sua presença em Garmser para impedir o fornecimento de armas aos talibãs procedentes do Paquistão.

O ano de 2007 foi o mais violento da rebelião dos talibãs depois de sua expulsão do poder por uma coalizão internacional, no final de 2001.

A coalizão internacional prevê que 2008 seja também um ano convulsivo, apesar da presença de cerca de 70.000 militares estrangeiros, pertencentes à Isaf e à coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

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