Pelo menos 15 morrem em protestos na Tailândia

Pelo menos 15 pessoas morreram e outras 500 ficaram feridas em confrontos entre soldados e manifestantes da oposição na capital da Tailândia, Bangcoc. Soldados e a polícia dispararam gás lacrimogêneo e balas de borracha quando avançaram logo depois do anoitecer deste sábado contra os manifestantes, os chamados camisas-vermelhas, que reagiram atirando bombas feitas com gasolina.

BBC Brasil |

Desde o início da noite, centenas de soldados e policiais da tropa de choque avançaram contra um acampamento dos camisas-vermelhas perto de vários prédios do governo e de um escritório da ONU na capital tailandesa.

A imprensa do país relatou que os dois lados dispararam armas e detonaram explosivos. Imagens de televisão mostraram cenas caóticas, com nuvens de gás lacrimogêneo tomando as ruas.

O centro de emergência do governo informou que pelo menos 15 pessoas - quatro soldados e 11 civis - foram mortas nos choques. Entre os mortos está Hiro Muramoto, um operador de câmera japonês que cobria os protestos na Tailândia para a agência de notícias Reuters.

Um pouco antes da meia-noite, o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva, fez um pronunciamento pela televisão para afirmar que lamentava pelas famílias das vítimas e insistiu que os soldados envolvidos apenas dispararam com munição "para o alto e em defesa própria".

Os camisas-vermelhas - em sua maioria simpatizantes do ex-premiê deposto Thaksin Shinawatra - exigem que o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva renuncie ao cargo e convoque eleições, alegando que seu governo é ilegítimo.

Os manifestantes começaram os protestos no último dia 12 de março, estabelecendo dois acampamentos em Bangcoc - um em frente à sede do governo e outro no distrito comercial, obrigando algumas lojas a fecharem.

Canal de televisão
Antes dos choques, as forças de segurança tailandesas retomaram um canal de TV oposicionista que tinha sido tomado por milhares de manifestantes na sexta-feira.

O canal tinha sido fechado por ordem do governo na quinta-feira, mas os manifestantes tinham recolocado o canal no ar. Mas, neste sábado, imagens de televisão mostraram autoridades apertando as mãos e sorrindo para os manifestantes, enquanto eles se retiravam.

O correspondente da BBC em Bangcoc Quentin Sommerville afirmou que os confrontos deste sábado foram os mais violentos desde o início dos protestos em março.

Os serviços de segurança e o primeiro-ministro tinham prometido cautela para lidar com os protestos para evitar uma repetição do que ocorreu em 2009, quando dois camisas vermelhas foram mortos.

"O governo e eu ainda somos responsáveis por tranquilizar a situação e tentar levar a paz e a ordem para o país", afirmou o primeiro-ministro em seu pronunciamento em rede nacional de televisão neste sábado.

Mas, de acordo com Sommerville, as mortes de tantas pessoas neste sábado pode significar apenas mais incerteza política para o país.

Os manifestantes acusam o atual premiê de ser uma marionete nas mãos dos militares e exigem sua renúncia.

Thaksin Shinawatra foi deposto por um golpe militar em 2006 e condenado à revelia a dois anos de prisão, em um processo por conflito de interesses.

Depois do golpe contra Thaksin, outros dois governos eleitos e formados por seus aliados políticos foram derrubados.

Em dezembro de 2008, depois de um grande protesto liderado pelo partido pró-Thaksin, a Corte Constitucional determinou que o partido era culpado de fraude eleitoral e proibiu seus líderes de assumir cargos políticos por cinco anos.

Os camisas-vermelhas integram a Frente Unida pela Democracia Contra a Ditadura (UDD) e são compostos principalmente por camponeses que foram beneficiados pelas políticas de Thaksin e intelectuais que querem menos influência dos militares sobre o governo.

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