Pelo menos 136 pessoas morreram no Muro de Berlim, indica estudo

Por Caroline Copley BERLIM (Reuters) - Ao menos 136 pessoas foram mortas no Muro de Berlim entre 1961 e 1989, informaram na terça-feira os pesquisadores do primeiro estudo detalhado sobre as vítimas.

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Os dados são o resultado de um projeto de quatro anos do Memorial do Muro de Berlim e do Centro de Pesquisa Histórica de Potsdam.

O ministro da Cultura alemão, Bernd Neumann, disse que é importante que as gerações mais jovens se lembrem da brutalidade do passado, especialmente este ano quando os alemães comemoram o 20o aniversário da queda do Muro, evento crucial no colapso do domínio comunista na Europa do Leste.

"É muito importante explicar como ele era de fato e salientar as consequências desumanas," disse Neumann a jornalistas.

"O projeto restaura a dignidade das vítimas," afirmou ele, acrescentando que uma tendência recente de banalizar os crimes do antigo regime comunista da Alemanha Oriental tornou essenciais projetos como esse.

O Ministério da Cultura deu 280 mil euros (397 mil dólares) ao projeto, que trata especificamente das mortes no Muro de Berlim.

Não há um número oficial dos mortos fora de Berlim na longa fronteira que dividia a Alemanha, mas a imprensa alemã estima o total em 1.347.

O Muro de Berlim foi construído há quase 48 anos e dividiu a capital alemã --e a Europa-- por cerca de três décadas durante a Guerra Fria.

O governo da Alemanha Oriental não divulgava os detalhes das pessoas mortas enquanto tentavam fugir.

"Nosso objetivo era dar um rosto às vítimas e relacionar esse rosto a uma história," disse Maria Nooke, do Memorial do Muro de Berlim.

Das 136 vítimas cujas biografias foram publicadas agora no novo compêndio "As vítimas no Muro 1961-1989," a maior parte era de homens jovens entre 16 e 30 anos.

Nove crianças e oito mulheres morreram. O número ainda inclui vários berlinenses ocidentais e oito guardas de fronteira da Alemanha Oriental.

Outras 251 pessoas morreram ao atravessar regularmente a fronteira, principalmente por enfarte, disseram os pesquisadores.

Além do compêndio, novos terminais interativos no centro do memorial permitem que os visitantes observem material de arquivo, incluindo fotos, mapas de rotas de fuga e clipes sonoros de familiares das vítimas.

"O projeto...teve como objetivo investigar os mortos no Muro de Berlim e resgatar as biografias deles do esquecimento oficial do governo da antiga Alemanha Oriental," disse Martin Sabrow, do Centro de Pesquisa Histórica de Potsdam.

Com freqüência, as famílias das vítimas recebiam versões mentirosas da causa da morte de seus parentes.

Mais informações sobre o projeto e a pesquisa podem ser encontradas no site www.chronik-der-mauer.de.

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