Pela 1a vez em 300 anos, ministro espanhol visita Gibraltar

Por Dominique Searle GIBRALTAR (Reuters) - Um ministro espanhol visitou Gibraltar na terça-feira, pela primeira vez em mais de 300 anos, e aprovou medidas destinadas a melhorar as relações com a Grã-Bretanha sem que Madri desista de reivindicar o território na entrada do mar Mediterrâneo.

Reuters |

Ao cruzar a estreita fronteira que separa Gibraltar da cidade de La Línea de la Concepción, o chanceler Miguel Angel Moratinos foi vaiado por nacionalistas espanhóis que pediram sua renúncia. Uma vez na colônia britânica, Moratinos reuniu-se com o ministro-chefe de Gibraltar, Peter Caruana, e com o chanceler britânico, David Miliband.

Foi a terceira rodada de uma série de diálogos concebida para priorizar a cooperação prática, e não a polêmica questão da soberania. Graças a esse processo, já foram estabelecidos voos diretos entre Espanha e Gibraltar, e o controle fronteiriço foi simplificado. Os encontros anteriores aconteceram em Londres e Córdoba.

Desta vez, Moratinos, Caruana e Miliband decidiram restabelecer o serviço de balsas entre Gibraltar e o vizinho porto espanhol de Algeciras, 40 anos depois de o ditador espanhol Francisco Franco iniciar um bloqueio de 16 anos contra esse território semi-autônomo.

A visita de Moratinos só aconteceu graças a um acordo para que se evitasse discutir um documento da UE, redigido pela Espanha, que define como espanholas todas as águas em torno de Gibraltar. Houve tensão depois que policiais espanhóis abordaram barcos junto a Gibraltar, e Caruana respondeu orientando os barcos a lançarem luzes de emergência caso se vejam ameaçados.

Na entrevista coletiva em Gibraltar, Moratinos disse que a Espanha considera "inalienável" o seu direito de recuperar o território, mas que "viemos aqui para negociar cooperação e diálogo".

"Estamos no século 21, e temos de olhar para o futuro", afirmou.

A Grã-Bretanha conquistou Gibraltar numa guerra em 1704, e a Espanha nunca aceitou a perda do território. Para não usar o aeroporto de Gibraltar, construído numa faixa fronteiriça que a Grã-Bretanha ocupou após o Tratado de Utrecht (1713), Moratinos desembarcou em Jerez, a 120 quilômetros de Gibraltar.

Um porta-voz do governo britânico disse que Londres não aceitaria que "o povo de Gibraltar passe à soberania de outro Estado contra seus desejos".

Em 2002, uma proposta de soberania conjunta foi rejeitada por 99 por cento dos eleitores que vivem numa faixa de terra com apenas o dobro do Central Park (Nova York).

Gibraltar e Espanha também decidiram acelerar negociações para combater sonegadores fiscais, acabar com a dupla tributação e permitir a troca de informações entre policiais e tribunais.

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