Pedofilia: Papa faz mea-culpa, mas critica sociedade americana

O Papa Bento XVI reconheceu, nesta quarta-feira, diante dos bispos dos Estados Unidos, que o escândalo dos padres pedófilos americanos foi mal administrado, mas também responsabilizou a ruptura de valores da sociedade americana, com a pornografia e a violência onipresentes.

AFP |

Esse escândalo é motivo de "vergonha profunda" e de "sofrimentos enormes" para a Igreja Católica, reafirmou o Papa, que já havia feito um mea-culpa, terça-feira, no avião que o levava do Vaticano para os EUA.

"Responder a essa situação não foi fácil e, como disse o presidente da Conferência Episcopal (cardeal Francis George), foi, às vezes, muito mal administrada", reconheceu.

Bento XVI destacou que "a compaixão e atenção às vítimas" deveria ser uma "prioridade".

Na reunião com bispos americanos, Bento XVI os censurou por terem "administrado muito mal algumas vezes" o caso dos padres pedófilos, um problema acobertado há décadas pela instituição.

O Papa lhes pediu, por outro lado, para "se ocuparem do pecado do abuso no contexto geral dos costumes sexuais".

"O que significa falar de proteção infantil, quando a pornografia e a violência podem, hoje, ser vistas em tantos lares, por intermédio do amplo acesso aos meios de comunicação?" - questionou o Sumo Pontífice, no primeiro dia de sua visita aos EUA.

"Todos têm um papel a desempenhar" para oferecer uma "formação moral sólida tanto aos jovens, quanto aos adultos. Não apenas os pais, os líderes religiosos, os professores e catequistas, mas também a mídia e indústria do entretenimento".

Hoje, o Papa também criticou o caráter eventualmente superficial da religiosidade americana.

"A América é uma terra de grande fé", notável pela "fé religiosa" de seu povo, mas "é coerente professar nossa crença na Igreja no domingo (...) e ignorar, ou explorar os pobres e os marginalizados, promover comportamentos sexuais contrários ao ensino da Igreja, ou adotar posições contradizendo o direito à vida de todo ser humano da concepção à morte natural?" - insistiu.

O Sumo Pontífice também denunciou "o escândalo dos católicos que promovem um pretenso direito ao aborto".

nou/tt/LR

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