Pedidos de troca humanitária marcam um ano da morte de 11 reféns das Farc

Bogotá, 18 jun (EFE).- Os pedidos de um acordo humanitário que viabilize a libertação de seqüestrados colombianos marcaram hoje o primeiro aniversário da morte em cativeiro de onze deputados regionais que durante cinco anos foram reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

EFE |

A morte dos políticos foi lembrada com missas e diferentes homenagens em Bogotá e Cali, onde foram seqüestrados em 11 de abril de 2002 por um comando das Farc que irrompeu na Assembléia Legislativa de Valle del Cauca (sudoeste).

O prefeito de Bogotá, Samuel Moreno, que assistiu a um ato na Praça de Bolívar no qual se apresentaram onze palmeiras que serão plantadas com os nomes dos deputados, disse a jornalistas que não se deve economizar esforços "para alcançar o acordo humanitário".

Segundo Moreno, esse acordo, que prevê a troca de 40 seqüestrados por aproximadamente 500 rebeldes das Farc presos, deve servir para trazer de volta os prisioneiros e para que não se repitam esses atos de lesa-humanidade.

"Que as pessoas hoje com uma flor e com uma vela nos acompanhem em um ato pela paz, pela convivência e para que o seqüestro não continue nos afetando", afirmou o prefeito.

Moreno disse que "atos simbólicos" como os de hoje buscam o retorno da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, mantida como refém há mais de seis anos e de "todas as pessoas seqüestradas na Colômbia".

Em Bogotá também foi celebrada uma missa assistida por altos funcionários do Estado e parentes de seqüestrados, entre eles Yolanda Pulecio, mãe de Betancourt.

Segundo um comunicado divulgado pelas Farc no dia 28 de junho do ano passado, onze dos 12 deputados seqüestrados em Cali morreram no dia 18 do mesmo mês em uma troca de tiros com um grupo armado não identificado.

No incidente, o único sobrevivente foi Sigifredo López, que nesse momento não se encontrava com o resto dos prisioneiros.

As vítimas foram Juan Carlos Narváez, que na época do seqüestro era presidente da Assembléia, e os deputados Héctor Arismendi, Carlos Barragán, Carlos Charry, Ramiro Echeverri, Francisco Giraldo, Jairo Hoyos, Nacianceno Orozco, Edison Pérez, Alberto Quintero e Rufino Varela.

Cali lembrou os falecidos com uma homilia na Catedral, enquanto na sede legislativa onde ocorreu o seqüestro foi depositada uma oferenda de flores. Os atos foram assistidos pelo ministro do Interior e Justiça, Carlos Holguín, e outros funcionários.

Outro que também esteve presente nas celebrações em Cali foi o ex-senador Luis Eladio Pérez, libertado pelas Farc em fevereiro passado após quase sete anos em cativeiro.

Segundo as autoridades colombianas, as Farc mantêm seqüestradas mais de 700 pessoas, das quais 40 formam o grupo de políticos, policiais, militares e estrangeiros que a guerrilha pretende trocar por rebeldes presos.

O presidente Álvaro Uribe, que ontem à noite enviou através da imprensa uma mensagem de solidariedade aos parentes dos deputados mortos, disse que "continua pendente a derrota do seqüestro na Colômbia".

Uribe lamentou "a dor causada pelas Farc quando seqüestram, enganam, com um discurso de aparência política", e declarou que os rebeldes "querem colocar uma camuflagem política à sua crueldade criminosa".

"É preciso lembrar como as Farc assassinaram os deputados, como mentiram e como manipularam a notícia", disse Uribe hoje às emissoras de rádio ao lembrar que esse grupo tentou apresentar a morte dos legisladores como resultado de um choque armado, supostamente com militares.

O presidente recordou que o Governo autorizou uma missão médica internacional que ajudasse à Promotoria colombiana nas investigações do caso.

"As conclusões não deixam dúvida (...) disseram como foram assassinados, jogados no solo, muitos deles, com um tiro a curta distância, da maneira mais aberrante, da maneira mais humilhante da condição humana".

Uma investigação de uma comissão legista da Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmou que os cadáveres apresentavam múltiplos disparos, mas não apontou culpados, embora a Promotoria processe atualmente 16 supostos guerrilheiros pelo seqüestro e homicídio dos políticos. EFE rrm/bm/rr

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