Pedido de extradição de Assange será examinado em fevereiro

Criador do WikiLeaks voltou ao tribunal nesta terça-feira para audiência de dez minutos sobre processo que aguarda em liberdade

iG São Paulo |

O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, voltou a um tribunal de Londres nesta terça-feira para uma nova audiência sobre sua extradição para a Suécia, onde é acusado de crimes sexuais. Durante a audiência, que durou apenas dez minutos, o juiz Nicholas Evans decidiu que o pedido de extradição será examinado nos dias 7 e 8 de fevereiro.

O juiz também modificou as condições da liberdade condicional para que o australiano possa dormir em Londres durante as duas noites antes das audiências (6 e 7 de fevereiro). Desde que foi solto sob fiança, em dezembro, Assange está hospedado em uma mansão a cerca de 200 quilômetros da cidade.

AP
Julian Assange, criador do WikiLeaks, chega a tribunal em Londres ao lado do advogado Mark Stephens

Na rápida audiência desta terça-feira, o criador do WikiLeaks apenas confirmou seu nome, idade e endereço, sem fazer qualquer outro comentário.

O criador do site foi preso em 7 de dezembro, após se entregar à polícia britânica, que cumpriu um mandado de prisão internacional emitido pela Suécia. Ele foi solto nove duas depois, sob fiança.

Assange, que tem irritado os EUA e outros países por causa da divulgação de milhares de comunicações diplomáticas secretas, nega a acusação de crimes sexuais, que diz ter motivação política.

Segundo documento elaborado pela defesa, Assange teme enfrentar pena de morte caso seja extraditado para os Estados Unidos. "É sugerido que existe um real risco de que, se extraditado para a Suécia, os Estados Unidos irão buscar a sua extradição e/ou transferência ilegal para os Estados Unidos, onde há um risco de ele ser detido na Baía de Guantánamo ou em outro lugar, em condições que podem violar o Artigo 3 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos", diz o documento. O artigo em questão bane a tortura.

"De fato, se o senhor Assange for entregue aos Estados Unidos sem garantias de que a pena de morte não será levada a cabo, existe um risco real de que ele possa ser sujeitado à pena de morte", afirma o texto.

Dificuldades financeiras

Na segunda-feira, Assange afirmou que o WikiLeaks enfrenta dificuldades financeiras e perde mais de US$ 620 mil por semana desde que começou a divulgar as notas de diplomatas americanos. A afirmação foi feita em entrevista aos jornais suíços "La Tribune" e "24 Heures".

Indagado se as pressões sofridas poderão acabar com suas atividades, Assange explicou: "Do ponto de vista pessoal, não. Eu diria, inclusive, que as pressões fortalecem minha determinação. Mas do ponto de vista financeiro, é outra coisa".

"Perdemos mais de 600 mil francos suíços (US$ 620 mil) por semana desde que começou a difusão dos telegramas diplomáticos. Para continuar com nossas atividades, será necessário de uma maneira ou de outra recuperar este dinheiro", acrescentou.

Com AP, BBC e Reuters

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