Pedaço de dedo descoberto na Sibéria rende um novo parente do ser humano

Um pedaço de osso de um dedo mindinho de 40 mil anos, tão pequeno que não se pode saber nem se pertencia à mão direita ou esquerda, acaba de abrir uma nova possibilidade na pré-história humana: a de uma nova espécie de hominídeo que tenha convivido com os seres humanos e os neandertais.

Natasha Madov, iG São Paulo |

A novidade surgiu da análise do DNA mitocondrial da amostra, encontrada na caverna Denisova, nas montanhas Altai, no sul da Sibéria. Ao contrário do DNA do núcleo das células, o mitocondrial é mais abundante e fornece uma espécie de relógio molecular, que pode estabelecer as relações de parentesco entre diferentes espécies. Quando a equipe de Svante Paabo e Johannes Krause, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, na Alemanha, que publicou o estudo hoje na revista Nature , comparou com genomas conhecidos de Homo sapiens e neandertais, veio a surpresa: o DNA não era de nenhum dos dois. Haveria, no entanto, um ancestral em comum, que viveu há um milhão de anos. Quando Johannes me ligou contando da descoberta, eu primeiro achei que ele estava me pregando um trote, diz Paabo. É uma descoberta incrível.

Os cientistas, no entanto, estão cautelosos em afirmar que se trata realmente de uma nova espécie. Apenas o seqüenciamento do DNA nuclear poderá nos trazer respostas mais claras, afirma Krause. Com isso, o grupo poderá afirmar se o dono (ou dona) do dedo é um primo mais próximo nosso ou dos neandertais, ou se é um descendente do Homo eretus , uma espécie de homínideo mais antiga que também migrou da África, num período anterior. Mas o fato corrobora que até muito recentemente, várias espécies de hominídeos conviveram num mesmo espaço (já que na mesma região já foram encontradas ossadas humanas e neandertais), mas todas, com exceção do H. sapiens , acabaram extintas. As causas ainda não são conhecidas.


Ilustração mostra neandertais morando em cavernas: causa da
extinção dos hominídeos continua desconhecida (Foto:Getty Images)

Segundo Sérgio Pena, geneticista da Universidade Federal de Minas Gerais, a descoberta pode gerar uma nova maneira de descobrir novas espécies: O estudo de ossadas e a arqueologia molecular são técnicas complementares, e idealmente gostaríamos de ter evidências de ambas. Mas ao que me consta, nenhuma espécie de hominídeo foi até hoje identificada pelo DNA. Caso se comprove ser este o caso, realmente é uma nova frente de identificação, disse, em entrevista ao iG . A arqueologia genômica é uma nova área, muitas surpresas deverão aparecer nos próximos meses e anos. É provável que em alguns anos a nossa visão da evolução dos hominídeos seja diferente da atual, avalia. 

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