Paulson pede que Congresso aprove com urgência resgate financeiro

Washington, 23 set (EFE).- A crise dos mercados ameaça toda a economia dos Estados Unidos, afirmou hoje o secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, ao pedir ao Congresso que aprove logo um pacote de resgate financeiro de US$ 700 bilhões.

EFE |

Paulson compareceu à Comissão de Bancos do Senado, junto com os presidentes do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, e da Securities and Exchange Commission (SEC, comissão de valores mobiliários americana), Christopher Cox, para explicar a proposta do Governo do presidente dos EUA, George W. Bush.

O plano de resgate confere a Paulson atribuições extraordinárias na direção da economia.

"Temos que agir rapidamente para estabilizar nosso sistema financeiro", disse Paulson. "Devemos fazer isso para evitar a queda das instituições financeiras e o congelamento dos mercados de crédito, pondo em perigo a saúde da nossa economia", acrescentou.

Paulson lembrou que o Governo Bush já interveio para salvar algumas instituições financeiras e hipotecárias, nacionalizando de fato suas dívidas, mas reiterou que "é preciso mais".

"Propomos um plano que retirará do sistema os ativos com problemas", acrescentou o secretário do Tesouro. O programa prevê gastos de US$ 700 bilhões para a aquisição pelo Governo de dívidas de baixa qualidade.

"Este programa de alívio de ativos com problemas deve ser planejado apropriadamente para uma aplicação imediata e deve ser suficientemente grande para ter um impacto máximo", acrescentou Paulson, ex-executivo-chefe do banco Goldman Sachs.

Já o presidente do Fed concordou com o secretário do Tesouro que a crise atual tem suas raízes na bonança inflacionária do mercado imobiliário quatro ou cinco anos atrás.

Bernanke explicou aos senadores por que o Fed e o Governo Bush intervieram no salvamento da seguradora American International Group (AIG), mas permitiram a falência do banco Lehman Brothers, um mês após ter socorrido as gigantes das hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac.

"O Fed acredita que, sempre que for possível, as dificuldades nos mercados deveriam se ater a acordos do setor privado", afirmou.

"A ajuda do Governo deveria ser dada com a maior das reservas e apenas quando a estabilidade do sistema financeiro e, em conseqüência, a saúde da economia estiverem em perigo", declarou Bernanke.

Segundo Bernanke, "apesar dos esforços do Fed, do Tesouro e de outras agências, os mercados financeiros globais seguem sob enormes pressões".

"Precisa-se com urgência da ação do Congresso para estabilizar a situação e impedir o que poderia desencadear conseqüências muito graves para nossos mercados financeiros e nossa economia", disse.

"Por isso, o Fed apóia a proposta do Tesouro para a compra de ativos sem liquidez das instituições financeiras".

Cox, presidente da SEC, disse que "há uma lacuna" nas regulamentações vigentes que impedem a supervisão do mercado de seguros contra a suspensão de pagamento de dívida (CDS, na sigla em inglês), mercado que movimenta US$ 58 bilhões.

Os CDS são usados como proteção na eventualidade de um mutuário não pagar sua dívida e também para especular com a qualidade do crédito do mesmo. EFE jab/wr/rr

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