Paulson e Bernanke defendem plano de resgate financeiro no Congresso

O presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), Ben Bernanke, e o secretário do Tesouro, Henry Paulson, pediram nesta terça-feira ao Congresso dos EUA que supere as divergências partidárias para votar o mais rápido possível seu plano de reestruturação dos bancos americanos.

AFP |

Diante de uma comissão do Senado, Paulson e Bernanke insistiram na gravidade da situação para pedir que seu plano seja votado antes do fim da sessão parlamentar prevista para sexta-feira.

"Hoje, temos de enfrentar uma situação. É necessário agir de maneira urgente e com uma disciplina que transcenda os partidos", defendeu Paulson.

O plano prevê a concessão de até 700 bilhões de dólares de dinheiro público para comprar os ativos podres acumulados pelos bancos na última "bolha" imobiliária.

"Esse plano é, em si mesmo, a única coisa realmente eficaz que podemos fazer para ajudar os proprietários de suas casas, o povo americano, e para estimular nossa economia", insistiu Paulson.

"Já que as decisões adotadas caso a caso não foram suficientes, temos, agora, de tomar medidas mais fortes e decisivas para atacar, fundamental e totalmente, a raiz dessa tormenta", argumentou o secretário.

Ele parecia desconfortável por defender um plano que se choca com suas convicções liberais. "Não gostaria de estar aqui nessa posição", destacou Paulson, ao se dirigir aos senadores, às vezes gaguejando suas respostas, enquanto contava com o apoio de um Ben Bernanke igualmente tenso.

Bernanke considerou o plano do Tesouro indispensável: "retirar esses ativos dos balanços das instituições financeiras vai contribuir para restaurar a confiança nos mercados financeiros e permitir aos bancos e às outras instituições levantar capital e conceder os créditos necessários para apoiar o crescimento econômico".

De Nova York, onde participa da Assembléia-Geral da ONU, o presidente George W. Bush previu que o governo e o Congresso vão aprovar esse projeto "com a rapidez necessária".

Antes mesmo que o secretário do Tesouro e o presidente do Fed tomassem a palavra, alguns membros da comissão apresentaram suas reservas em relação ao plano de resgate, considerado muito impreciso. Uma das críticas mais contundentes foi do republicano Richard Shelby.

"Podemos muito bem gastar 700 bilhões de dólares, ou 700 trilhões e não resolver a crise. Antes que eu assine qualquer coisa dessa amplitude, quero ter certeza de que esgotamos todas as soluções de reestruturação razoáveis", afirmou.

Pouco antes da audiência da comissão, seu presidente, o democrata Chris Dodd, divulgou várias emendas sugeridas por seu partido antes de votar o plano de Paulson.

Entre elas, estão melhorar a transparência dos fundos, obrigar os bancos que recorreram a essa ajuda a enviar uma parte de seu capital ao Tesouro e tomar medidas para os tomadores de empréstimo.

Paulson e Bernanke não deram, porém, detalhes sobre as inúmeras questões levantadas sobre o plano. O secretário se limitou a confirmar que os bancos estrangeiros ativos nos Estados Unidos poderão ser escolhidos.

mj/tt

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