Paulo Bernardo diz que crise afetará programas de alimentos

Roma, 18 fev (EFE).- O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou hoje que a crise financeira poderá afetar não apenas a produção de alimentos, mas também os programas internacionais sobre este assunto, que poderiam receber de seus membros menos recursos.

EFE |

Em declarações à Agência Efe após discursar no Conselho de Governadores do Fundo Internacional do Desenvolvimento Agrícola (Fida) que está sendo realizado em Roma, o ministro previu uma maior presença "física" da entidade nos países em que trabalha por meio de consultores que se desloquem para o lugar, o que se traduzirá em "um acompanhamento mais próximo dos projetos".

Silva destacou em seu discurso ante o Conselho de Governadores da Fida a importância desta colaboração mais próxima para "facilitar a troca de experiências e a difusão de tecnologias", algo no que destacou que o Brasil pode realizar uma boa contribuição.

Também sugeriu que a Fida deva estreitar os laços de cooperação com outras entidades, como a FAO e o Programa Mundial de Alimentos.

O ministro afirmou que os conferencistas que participaram da reunião se mostraram em geral "preocupados" pelas consequências que a crise financeira pode ter na produção de alimentos e "na vida das pessoas pobres do campo e da cidade", assim como "no abastecimento de alimentos no mundo".

Também se tratou em profundidade da segurança alimentar, um tema ao qual a Fida dedicou sua última reunião de alto nível, realizada em Madri em janeiro, e se avaliou o aumento do número de pessoas que sofrem de insegurança alimentar, o que, segundo Silva, cresceu em 700 milhões de pessoas nos últimos anos.

O ministro brasileiro afirmou que, com o crescimento do consumo de alimentos nos últimos anos, "uma crise financeira pode afetar o sistema através da falta de créditos" e do encarecimento geral dos produtos.

Declarou que a última reposição de recursos do fundo, realizada em 2008 e que foi a mais numerosa de sua história, representa um aumento de capital de 67% que fará com que esteja "mais preparado para enfrentar os desafios da crise".

Além disso, se mostrou partidário de que a nova diretoria, que será escolhida neste Conselho, "continue com os programas" que estão sendo desenvolvidos até agora.

O Brasil é ao mesmo tempo executor de projetos financiados pela Fida e um dos países que contribuem para o fundo.

Os 164 Estados-membros da Fida se reúnem em Roma hoje e amanhã para realizar seu Conselho de Governadores, a entidade decisória do fundo.

Dentro do programa da reunião está a escolha de um novo presidente.

Em 2008, a Fida investiu US$ 3,4 bilhões em 202 programas e projetos em 81 países e concedeu US$ 602 milhões em conceito de novos empréstimos e doações para 32 países em desenvolvimento. EFE if/fal

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