Paul Volcker, a velha receita dos presidentes dos EUA contra crises

Céline Aemisegger. Washington, 26 nov (EFE).- Paul Volcker, que comandará o Conselho Assessor para a Recuperação Econômica, a nova equipe anticrise do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, é considerado uma velha raposa política e econômica que já lidou com cinco governantes e é conhecido por suas estratégias.

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Volcker, com 81 anos e uma extensa carreira na política e na economia, fornecerá a Obama a sabedoria própria de um homem de sua idade e experiência, cujo nome é respeitado e apreciado tanto no setor privado como no público.

O economista nascido em Nova Jersey, em 1927, volta agora, após vários anos na sombra, à primeira linha da política nacional e com isso acrescenta a seu extenso currículo a credibilidade de ser o homem de confiança de mais um presidente americano, o sexto em sua carreira.

Para Obama, Volcker não é um desconhecido, já que esteve a seu lado durante a campanha eleitoral, quando o economista mostrou um conhecimento profundo dos mercados financeiros, uma ampla experiência em lidar com a crise e uma compreensão particular da natureza das turbulências atuais, segundo palavras do próprio presidente eleito.

O novo responsável da equipe encarregada de ajudar o próximo Governo americano a tirar o país da maior crise econômica desde a Grande Depressão emprestou ao longo de sua carreira seus serviços tanto a Governos republicanos como democratas, que lhe admiram por sua independência.

Precisamente, trabalhou para os presidentes John F. Kennedy, Lyndon B. Johnson, Richard Nixon, Jimmy Carter e Ronald Reagan.

Talvez seu cargo mais importante tenha sido o de presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) entre 1979 e 1987, durante os Governos de Carter e Reagan, período de grandes turbulências financeiras.

Previamente, foi durante quatro anos presidente do Fed de Nova York.

O antecessor de Alan Greenspan no Fed teve um papel decisivo na hora de lutar contra as extremamente altas taxas de inflação nos anos 80, e é elogiado por ter conseguido pôr fim às dificuldades econômicas.

Naquela situação, Volcker demonstrou que não é a pessoa que opta pela via mais cômoda para resolver os problemas, mas que está disposto a empregar estratégias complicadas e sem temor aos efeitos colaterais que possam ser gerados, inclusive ao próprio presidente.

Em artigo, o "New York Times" lembra como o economista, em seus esforços para conter a escalada da inflação, decidiu subir as taxas de juros a níveis tão altos que "arrastou o país a uma recessão, condenando ao fracasso a tentativa de reeleição de Carter".

Volcker recebeu duras críticas por essa estratégia, mas se manteve em sua posição e, no final, fez o correto para o país, já que a bonança dos mercados financeiros que começou em 1982 foi resultado direto de sua gestão.

Ao final de seu segundo mandato como presidente do Fed, o economista, formado nas prestigiadas universidades de Princeton, Harvard e London School of Economics, voltou ao setor privado e se tornou o presidente e diretor-geral do banco de investimento James D. Wolfensohn, cargo que ocupou até 1996.

No setor privado começou como assessor financeiro do Chase Manhattan Bank, entre 1957 e 1962.

Volcker, que não só se destaca por seu impressionante currículo, mas também pelos seus 2 metros de altura, também conta com uma ampla experiência no Departamento do Tesouro, aonde chegou nos anos 60 após sua primeiro passagem pelo Fed e pelo setor privado.

No Tesouro, dirigiu o Escritório de Análise Financeira, trabalhou no departamento de Assuntos Monetários e também foi diretor de Planejamento até que, em 1969, se tornou subsecretário.

Nos anos 90, foi presidente da Comissão Trilateral dos EUA, membro do conselho da United Airlines e, já depois de 2000, liderou a comissão da ONU que investigou um escândalo de corrupção envolvendo ajuda alimentícia ao Iraque. EFE cai/rr

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