Paul Newman, a lenda dos olhos azuis

Antonio Martín Guirado. Los Angeles (EUA), 27 set (EFE).- O câncer finalmente venceu o ator americano Paul Newman, lenda indiscutível do cinema, cujos olhos azuis, possivelmente os mais famosos de Hollywood e os que provocaram mais suspiros, serão tão lembrados quanto sua brilhante carreira.

EFE |

Eterno candidato ao Oscar, obteve um honorífico por toda sua carreira em 1985 e no ano seguinte finalmente recebeu um por sua atuação em "A Cor do Dinheiro", quando tinha 61 anos e uma longa carreira nas costas.

Newman recebeu essas duas estatuetas após sete indicações, por "Gata em Teto de Zinco Quente" (1958), "Desafio à Corrupção" (1961), "O Indomado" (1963), "Rebeldia Indomável" (1967), "Rachel, Rachel" (1968), "Ausência de Malícia" (1981) e "O Veredito" (1982).

"É como perseguir uma mulher bonita durante 80 anos", disse o ator ao receber o prêmio, seguido por mais duas indicações, por "Assim é Minha Vida" (1994) e "Estrada para Perdição" (2002), sua despedida do cinema pela porta da frente, em um duelo de interpretação à altura, junto com Tom Hanks.

Newman ganhou um Oscar em 1993 em reconhecimento a sua atuação em causas humanitárias. Também recebeu um Emmy em 2005 e um Globo de Ouro por sua aparição na série para televisão "Empire Falls".

Nascido em 26 de janeiro de 1925 em Shaker Heights, no estado americano de Ohio, o jovem Newman, após servir na Marinha durante a Segunda Guerra Mundial como operador de rádio, dirigiu seus esforços para o Actor's Studio de Nova York.

Sua beleza clássica não passou despercebida e o ator conseguiu suas primeiras aparições nos teatros da Broadway e em séries de TV.

Estreou no cinema com "O Cálice Sagrado" (1954), filme tão ruim que, quando estreou na televisão, Newman publicou um anúncio na imprensa pedindo desculpas.

Newman também fez o papel do boxeador Rocky Graziano - originalmente destinado a James Dean - no filme "Marcado pela Sarjeta" (1956), dirigido por Robert Wise, o que chamou a atenção da crítica e dos produtores da indústria, que viram nele a próxima estrela de Hollywood.

A expectativa foi confirmada dois anos depois com "Gata em Teto de Zinco Quente", adaptação de um texto de Tennessee Williams, no qual fez um inesquecível par com Elizabeth Taylor.

Nos anos seguintes, Newman correspondeu à confiança depositada nele e foi o motor de sucessos de bilheteria como "Exodus" (1960), "Os Criminosos não Merecem Prêmio" (1963), "Harper - O Caçador de Aventuras" (1966) e "Butch Cassidy" (1969), junto com seu amigo Robert Redford, com quem repetiria a dupla em "Golpe de Mestre" (1973), ambos dirigidos por George Roy Hill.

Dirigiu "Rachel, Rachel" - que ganhou o Oscar de melhor filme e teve a mulher do ator, Joanne Woodward, indicada à estatueta de melhor atriz -, "Uma Lição para não Esquecer" (1971) e "O Preço da Solidão" (1972).

Newman e Woodward, que se conheceram na gravação de "O Mercador de Almas" (1958) e tiveram três filhas, formaram um dos casais mais sólidos do cinema - "Para que procurar um hambúrguer se tenho em casa um bom filé?", dizia - e fixaram residência em Connecticut desde que decidiram deixar Hollywood, em 1960.

Os dois se casaram em Las Vegas em 29 de janeiro de 1958, um dia depois de Newman se divorciar de Jackie Witte, sua primeira mulher, com quem também teve três filhos.

Nos anos 70, suas aparições no cinema foram diminuindo, com "Inferno na Torre" (1974) e "Vale Tudo" (1977). Nessa época, nasceu sua paixão pelas corridas de carros (foi um dos donos de uma equipe profissional).

Mais tarde, fundou a Newman's Own, uma companhia de alimentos cujo lucro - mais de US$ 100 milhões anuais - são destinados à caridade, uma faceta altruísta iniciada após a morte de seu único filho, Scott, em 1978, por overdose de drogas.

Com a maturidade, começou a apostar em aparições em filmes de diretores mais renomados, como Sydney Pollack ("Ausência de Malícia") e Sydney Lumet ("O Veredito").

"Cenas de uma Família" (1990), de James Ivory, voltou a reunir na tela o casal Newman. Ele ainda teve atuações memoráveis em "Na Roda da Fortuna" (1994), dos irmãos Coen, e "Fugindo do Passado" (1998), de Robert Benton, e também em "Uma Carta de Amor" (1999), com Kevin Costner.

Mas os cinéfilos nunca se esquecerão do último presente de Newman ao cinema, em "Estrada para Perdição": John Rooney (Newman), capo da máfia irlandesa em Chicago dos anos 30, que se divide entre a defesa do filho biológico e o amor por Michael Sullivan (Hanks), órfão que criou e tratou como próprio filho. EFE mg/wr/an

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