Paul McCartney teme ter sido vítima de escutas ilegais britânicas

Nos EUA, ex-Beatle diz que falará com polícia quando voltar ao Reino Unido; ex-namorada dele diz que sua caixa de voz foi grampeada

iG São Paulo |

Marcos Hermes/Divulgação
Paul McCartney é visto durante apresentação no Rio, em maio
Paul McCartney disse à mídia americana que irá à polícia por aparentemente ter sido vítima de escutas telefônicas. A declaração foi feita depois que sua ex-mulher Heather Mills alegou que um graduado jornalista do Mirror Group admitiu ter interceptado mensagens deixadas pelo ex-Beatle em sua caixa de voz.

McCartney afirmou esperar saber mais sobre o caso quando conversar com a polícia no Reino Unido assim que terminar sua turnê nos EUA. Em Ohio, ele disse que os grampos telefônicos eram "uma horrenda violação da privacidade".

"Não sei muito sobre isso (as supostas escutas), porque a polícia só aborda o assunto pessoalmente. Acho que os grampos duraram por um longo tempo e que mais pessoas do que temos consciência sabiam disso. Mas devo apenas ouvir quais são os fatos antes de fazer comentários."

Na quarta-feira, Heather disse ao Newsnight da BBC que, no início de 2001, teve uma discussão com seu então namorado Paul, que mais tarde deixou uma mensagem de conciliação em sua caixa de voz enquanto ela estava na Índia.

Posteriormente, ela disse ter sido contatada por um jornalista dos jornais do Mirror Group que "começou a citar as mensagens de sua máquina". Ao desafiá-lo acusando-o de escutas telefônicas, ele respondeu: "Ok, ok, sim ouvimos isso em suas mensagens de voz; não publicarei isso."

Trinity Mirror - parte do Mirror Group - respondeu à acusação afirmando que todos os seus jornalistas trabalham dentro da lei e sob o código de conduta da Comissão de Reclamações da Imprensa.

News of the World

O escândalo de escutas vem fervilhando nos últimos anos no Reino Unido, mas em semanas recentes absorveu a mídia, a elite política e a polícia britânicas após alegações de que grampos feitos pelo News of the World interferiram na investigação da morte de Milly Dowler , de 13 anos, em 2006. O homem condenado por sua morte cometeu outros dois assassinatos antes de ser capturado.

Pivô do escândalo, o News of the World, da News Corporation de Rupert Murdoch, foi fechado em 10 de julho após o aumento de denúncias sobre o caso. O tabloide é acusado de ter monitorado os telefones celulares de milhares de pessoas, incluindo políticos e celebridades.

Há uma semana, o juiz britânico Brian Levenson abriu oficialmente o inquérito público judicial sobre o escândalo, que ocorrerá paralelamente ao inquérito policial. A comissão responsável pela investigação é formada por outros seis integrantes, entre eles dois jornalistas, um ex-chefe de polícia e um ativista das liberdades civis.

Segundo Levenson, em primeiro lugar o grupo vai avaliar a legislação relativa aos meios de comunicação e se é necessário fazer alterações. Depois, a investigação vai analisar a relação entre a imprensa, a polícia e os políticos na Grã-Bretanha. As audiências públicas começarão em setembro e o grupo tem 12 meses para finalizar um relatório sobre o caso.

Levenson afirmou que tem o poder legal para exigir evidências das testemunhas e que planeja utilizá-lo, caso elas se recusem a colaborar com as investigações.

No sábado, a Scotland Yard afirmou que uma nova investigação será aberta para determinar se o News of the World também utilizou o serviço de hackers para obter informações.

De acordo com o jornal The Guardian, a investigação acontece após denúncias de que o tabloide teria contratado hackers que enviavam emails com um vírus de computador chamado Trojan. O vírus dava ao hacker acesso total ao computador e permitia que a compilação de informações particulares.

*Com BBC, AFP, EFE e AP

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