Patriota: Proposta do Quarteto resulta de iniciativa palestina na ONU

Após discurso de Abbas pedindo reconhecimento de Estado, mediadores apresentam proposta para negociações de paz com Israel

Carolina Cimenti, de Nova York |

AFP
Chanceler do Brasil, Antonio Patriota, participa de encontro do Conselho de Segurança durante Assembleia Geral da ONU (22/9)
O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, indicou nesta sexta-feira que a decisão palestina de pedir adesão com status pleno às Nações Unidas, iniciativa que foi confirmada nesta sexta-feira pelo presidente Mahmud Abbas na Assembleia Geral, forçou uma movimentação diplomática que possibilitou a apresentação pelo Quarteto para o Oriente Médio (EUA, União Europeia, Rússia e ONU) de uma proposta para negociações de paz.

“Vimos hoje com a declaração do Quarteto que existem perspectivas que podem levar a resultados, com inclusive um cronograma. Isso por si só já merece uma nota, porque até pouco tempo atrás não  acontecia nada, pelo contrário, havia sentimento de colapso total no papel do Quarteto”, afirmou o chanceler em Nova York, onde participa da 66ª Assembleia Geral da ONU.

Patriota disse que o governo brasileiro “se alinha bastante” com a proposta do Quarteto, “principalmente pelo fato de existir um calendário para as negociações, que prevê resultados até o fim de 2012”. Apresentada por mediadores internacionais após Abbas discursar no plenário da Assembleia, a proposta solicita uma reunião dentro de um mês, no máximo, entre israelenses e palestinos para que se forme uma agenda de negociações, que deverá contar com um prazo final para uma resolução que não passe de 2012.

Além disso, o Quarteto propõe que cada um dos lados apresente suas propostas em relação a território e segurança em até três meses, estipulando o prazo de até seis meses para que elas sejam discutidas. Para isso, o Quarteto pretende se reunir em uma conferência internacional em Moscou. Entre outros pontos, os mediadores também dizem ter o compromisso de se encontrar regularmente e intensificar sua cooperação com os dois lados.

Segundo Patriota, o problema da instabilidade no Oriente Médio é muito grande para ser negociado e decidido por poucos países no mundo, e o Brasil, assim como outros países da ONU, quer participar ativamente nas negociações. “Um exemplo de participação que o Brasil pode ter é o de manter vigilância sobre os próprios passos que o Quarteto está propondo. A proposta está aí, mas agora é necessário que um número de agentes esteja vigilante para poder cobrar que esses passos sejam realmente cumpridos”, explicou.

Em relação à reação da Assembleia Geral da ONU ao discurso de Abbas, o chanceler afirmou que o órgão, com longos e entusiasmados aplausos, “fala por si mesmo e demonstra que há muito apoio a um Estado palestino”. Na quarta-feira, durante o discurso inaugural dos eventos, a presidenta brasileira, Dilma Rousseff , declarou apoio à reivindicação palestina pelo reconhecimento de um Estado na ONU.

Como o Brasil atualmente faz parte do Conselho de Segurança, composto por 15 membros (dos quais EUA, Rússia, Reino Unido, França e China são permanentes, com poder de veto), Patriota explica que nesse momento o governo brasileiro se mantém em constante comunicação com Israel e com os líderes palestinos, e também com outros agentes das negociações, como o Quarteto.

O ministro manteve nesta sexta-feira uma reunião com a chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton. “Não sabemos ainda qual impacto essa proposta terá nos próprios palestinos. Mas continuaremos em contato com um número grande de interlocutores para ter certeza de que essa iniciativa não acabe antes mesmo de começar”, concluiu.

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