Pastor dos EUA indica que pode retomar plano de queima do Alcorão

Terry Jones diz que reconsidera ideia após imã ter negado que lhe tivesse prometido mudar localização de mesquita em Nova York

iG São Paulo |

O pastor americano Terry Jones afirmou na noite de quinta-feira que seu plano de queimar 200 exemplares do Alcorão para marcar o nono aniversário do 11 de Setembro está suspenso , mas não cancelado, como havia anunciado previamente.

Jones disse que está reconsiderando sua decisão inicial após o imã Feisal Abdul Rauf ter negado que tivesse prometido ao pastor evangélico mudar o local de construção de um centro islâmico em Nova York. O projeto, previsto para ficar a duas quadras do Marco Zero - onde ficavam as Torres Gêmeas atacadas em 2001 -, vem causando polêmica nos EUA .

"O projeto vai prosseguir como planejado. O que está sendo divulgado na imprensa hoje (quinta-feira) é falso", disse o porta-voz Sharif El-Gamal, sobre a possibilidade de o projeto do centro cultural ser transferido para outro local.

Em uma segunda aparição perante a imprensa na quinta-feira, Jones afirmou que, após ter sido "enganado", "definitivamente" seria preciso "refletir e reconsiderar" o cancelamento, segundo declarações citadas pela rede "CBS".

Protestos

Os planos do pastor, que havia batizado o evento de sábado de "Dia Internacional de Queima do Alcorão", provocaram reações de líderes políticos e religiosos dentro e fora dos Estados Unidos. O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse que, se o plano de Jones for levado adiante será "uma afronta " e um insulto a todos os muçulmanos.

Na quinta-feira, o presidente americano, Barack Obama, afirmou em entrevista à rede ABC que a iniciativa de Jones poderia estimular atos extremistas contra os EUA e ajudar a rede terrorista Al-Qaeda a recrutar militantes .

"Pode aumentar o recrutamento de indivíduos dispostos a se explodir em cidades americanas e europeias. "Podemos ter graves episódios de violência no Paquistão e no Afeganistão", disse, afirmando que o plano de Jones é contrário aos valores americanos e às noções de tolerância e liberdade religiosa sobre as quais o país foi construído.

Horas antes de Jones anunciar que suspenderia a queima do Alcorão, o Departamento de Estado americano fez um alerta aos cidadãos do país no exterior para a possibilidade de ações anti-EUA em diversas partes do mundo, caso a queima ocorresse no dia 11 de setembro. "Manifestações, algumas violentas, já aconteceram em diversos países, incluindo Afeganistão e Indonésia", afirmou o alerta.

Um dia antes, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton , já havia chamado o plano do pastor de "vergonhoso" e dito que Jones não representa os americanos ou o governo americano.

O comandante das forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no Afeganistão, general David Petraeus, também já havia afirmado que o ato poderia colocar em risco a vida de soldados americanos no país.

Centro islâmico

Os planos de construção do centro cultural islâmico Cordoba House próximo ao local dos ataques de 11 de setembro também tem provocado polêmica nos Estados Unidos. Uma pesquisa divulgada na quarta-feira pela ABC News e pelo jornal The Washington Post revelou que dois terços dos entrevistados são contra a construção no local. A mesma pesquisa indica que 49% dos americanos afirmam ter opiniões desfavoráveis em relação ao Islã, o percentual mais alto desde outubro de 2001.

Jones proferiu suas declarações nesta quinta-feira ao lado de um representante da Fundação Islâmica do Centro da Flórida, Muhammad Musri. Musri disse que vai acompanhar Jones a Nova York para discutir a mudança de local do centro cultural. "Estamos comprometidos em esclarecer a situação aqui e lá", afirmou Musri.

*Com EFE e BBC

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