Pastor da Flórida tem antecedentes polêmicos na Alemanha

Terry Jones, expulso pelos próprios seguidores da seita em 2008, foi condenado por falsificação de documentos

iG São Paulo |

O pastor americano Terry Jones, que planejava queimar exemplares do Alcorão no aniversário dos atentados de 11 de Setembro, sábado, tem antecedentes polêmicos na Alemanha, país que abandonou em 2008 expulso pelos próprios seguidores de sua seita.

A história foi foi revelada pelo antigo responsável pelo acompanhamento de seitas da Igreja Evangélica Alemã na Renânia, Joachim Keden. "Jones é o clássico dirigente sectário com visão fundamentalista extrema", disse em entrevista ao jornal Berliner Zeitung.

AFP
Pastor Terry Jones dá coletiva em conjunto com o imã Muhammad Musri, presidente da Sociedade Islâmica da Flórida Central, em Orlando
Sucessor no cargo e também especialista em seitas, Andrew Schäfer destaca que Jones foi condenado em 2002 por um tribunal da cidade alemã de Colônia a uma pena de 3.000 euros por falsificação de documentos, ao afirmar que tinha um título de doutor que não possuía.

Além disso, foi acusado, mas não chegou a ser processado, de exploração laboral dos membros mais jovens de sua seita e de se apropriar indevidamente de fundos de seu grupo religioso, o que conduziu a sua primeira expulsão da comunidade religiosa que tinha fundado.

Sua readmissão só aconteceu "após o pagamento de uma reparação econômica de quatro a cinco dígitos", segundo revela ao mesmo jornal Stephan Baar, um dos atuais representantes da Comunidade Cristã de Colônia, fundada por Jones e que, segundo suas palavras, tem agora cerca de 80 membros ativos.

A Dove World Outreach Center (Centro da Pomba de Ajuda ao Mundo, em tradução livre), igreja liderarada por Jones na Flórida é composta por um pequeno grupo integrista cristão de 50 membros. A organização se apresenta em seu site (http://www.doveworld.org/) "como uma Igreja do Novo Testamento, baseada na Bíblia, a Palavra de Deus.

Segundo explica o site, a comunidade foi fundada em 1986 por um pastor na sala de sua casa em Gainesville, norte da Flórida com aproximadamente 115 mil habitantes. As primeiras reuniões dos membros da comunidade foram realizadas na casa do pastor, e mais tarde em no hotel Holiday Inn e em um teatro dos arredores, segundo o site. Os membros fundadores reuniram em seguida a soma de US$ 150 mil para comprar o terreno no qual foi edificado o templo no final dos anos 1980.

O pastor Don dirigiu a comunidade até sua morte, em 1996, quando foi sucedido por Terry Jones. Até 2008 Jones dirgiu a igreja na Flórida e a Comunidade Cristã de Colônia, fundada nos anos 80 na Alemanha. Sob a direção de Jones, o movimento se manteve em sua linha integrista, denunciando tanto o aborto quanto a homossexualidade e acusando o islã de querer dominar o mundo.

Site

Em seu site, a atual igreja de Jones prega que "os cristãos devem voltar à verdade e deixar de se esconder". "Devemos nos levantar contra o pecado e chamar as pessoas ao arrependimento. O aborto é um homicídio. A homossexualidade é um pecado. Devemos chamar essas coisas do que são e anunciar ao mundo a verdadeira mensagem: Jesus é o caminho, a verdade e a vida".

O site promove ainda um livro assinado pelo pastor Jones intitulado "O Islã é Diabólico", colocado a venda por US$ 12,99. O grupo também vende ainda camisetas, canecas e bonés com o slogan "O Islã é Diabólico".

*Com EFE e AFP

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