Passaportes de assassinos de líder do Hamas não são falsos, diz chefe de polícia de Dubai

O chefe de polícia de Dubai afirmou nesta quinta-feira que os passaportes europeus utilizados pelos 11 suspeitos de ter assassinado um líder do movimento palestino Hamas no emirado não são falsos.

AFP |

Em uma entrevista ao jornal oficial Al-Bayan, o general Dhahi Jalfan prometeu revelar nos próximos dias novos indícios sobre o assassinato, em 19 de janeiro, de Mahmud Al Mabhuh, pelo qual o Mossad, o serviço secreto israelense, tem sido acusado.

"Os oficiais dos serviços de imigração são treinados por especialistas de segurança europeus para detectar os passaportes falsos", afirmou o general Jalfan.

"Aplicaram os procedimentos no aeroporto, no desembarque dos suspeitos e não detectaram nenhuma falsificação", completou.

Nesta quinta-feira, o embaixador de Israel deve dar explicações no Foreign Office (Ministério das Relações Exteriores britânico) sobre o uso de seis passaportes desse país pelos supostos assassinos de Mabhuh, fornecedor de armas do Hamas e um dos fundadores do braço armado do grupo. Londres anunciou ainda a abertura de uma investigação.

O Ministério das Relações Exteriores da Irlanda também convocou o embaixador israelense pelo uso de passaportes irlandeses no caso.

A polícia de Dubai anunciou na segunda-feira que 11 pessoas que tinham passaportes europeus (três irlandeses, seis britânicos, um francês e outro alemão) eram procuradas pelo assassinato cometido em um hotel do rico emirado.

Segundo a imprensa israelense, o esquadrão teria usurpado a identidade de pelo menos sete israelenses que possuem nacionalidades estrangeiras.

Investigação preliminar

Uma investigação preliminar feita pela agência da Grã-Bretanha para o combate ao crime organizado confirmou que as fotografias e as assinaturas dos passaportes britânicos usados pelos supostos assassinos não correspondiam às dos passaportes originais nos nomes utilizados.

Os seis britânicos-israelenses cujos nomes constavam dos passaportes apontados pela polícia de Dubai como sendo os dos assassinos de Al-Mabhouh negam qualquer envolvimento no crime.

Um deles, Stephen Daniel Hodes, de 37 anos, afirmou não ter saído de Israel nos últimos dois anos e se disse "chocado" com o caso. "Não sei quem está por trás disso. Estou com medo, essas são forças poderosas", disse ele a uma TV israelense.

Outro envolvido, o consultor de informática Melvyn Mildiner, de 31 anos, disse ao diário The Jerusalem Post: "Fui dormir com pneumonia e acordei assassino."

Paul John Keeley, cidadão britânico que se mudou para Israel há 15 anos e mora no kibutz (comunidade agrícola) Nahsholim, afirmou que vem se sentindo "como um zumbi" desde que descobriu seu nome na lista de suspeitos.

"Como uma coisa dessas pode acontecer? Sou um simples mecânico, o que querem de mim? As pessoas riem, mas eu não estou achando essa história engraçada", disse à imprensa local.

As autoridades da República da Irlanda confirmaram que os números dos passaportes do país utilizados eram legítimos, mas afirmaram que eles não correspondiam aos nomes nos passaportes apresentados pela polícia de Dubai.

As autoridades francesas e alemãs também levantaram suspeitas sobre as identidades dos suspeitos com passaportes de seus países.

Imagens divulgadas por Dubai identificam os suspeitos no assassinato de membro do Hamas

Imagens identificam os suspeitos no assassinato de membro do Hamas

Circuito interno

O líder do Hamas foi morto em um quarto de hotel em Dubai. A polícia de Dubai divulgou imagens do circuito interno de TV do hotel que mostram os suspeitos disfarçados de turistas, usando perucas e barbas falsas.

Segundo as autoridades locais, o trabalho "foi executado por um time profissional, altamente habilitado para esse tipo de operação".

De acordo com alguns relatos, Al-Mabhouh estaria em Dubai para comprar armamentos para o Hamas.

Segundo a polícia, dois suspeitos palestinos que teriam fugido para a Jordânia também estariam sendo questionados sobre o assassinato.

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