Havana - Várias cidades litorâneas do centro e do leste de Cuba foram evacuadas por causa da iminente passagem pela ilha da tempestade tropical Fay, que pode se transformar em furacão nas próximas horas, informaram hoje fontes oficiais.

A tempestade, que já deixou pelo menos quatro mortos na República Dominicana e um desaparecido no Haiti, está perto de Cabo Cruz, na província de Granma (leste), ao amanhecer, e avançava em direção ao centro da maior ilha das Antilhas, informou às 6h no horário local (7h em Brasília) o Instituto de Meteorologia cubano.

Segundo relatórios oficiais, é possível que o "Fay" se transforme em furacão (quando seus ventos máximos sustentados passarem de 119 quilômetros por hora, o dobro do que tem agora), mas não se sabe se isso acontecerá antes de atravessar a ilha ou quando já a tiver deixado para trás, previsivelmente rumo à Flórida, nos Estados Unidos.

Os ciclones ganham força quando se movimentam por águas aquecidas, como as do Caribe, e se debilitam ao passarem por terra.

Em seu aviso, o Instituto de Meteorologia destaca que o "Fay" continua se movendo pelo Caribe em direção ao sul de Cuba, perto das províncias de Camagüey e Ciego de Ávila, com "ligeiro aumento de organização e intensidade".

O Instituto de Meteorologia acrescenta que as chuvas continuarão afetando o leste do país e se estenderão gradualmente às províncias centrais durante as próximas 24 horas.

As chuvas podem chegar a ser fortes e intensas em algumas localidades, especialmente em regiões montanhosas e no litoral sul, com registros entre 100 e 200 milímetros em 24 horas.

Há ventos e ressacas no leste de Cuba, com inundações no sul desde Guantánamo até Granma, que se estenderão gradualmente a Camagüey e Ciego de Ávila.

Na madrugada de ontem para hoje, o "Fay" apresentou "ligeiras mudanças em sua intensidade, e seus ventos máximos sustentados subiram para 85 quilômetros por hora, com seqüências superiores", diz a informação oficial, acrescentando que o sistema "se movimenta em direção próxima ao oeste-noroeste, a cerca de 20 quilômetros por hora".

Às 6h no horário local (7h em Brasília), o olho da tempestade tropical, a sexta da temporada atlântica de 2008, estava na latitude 19,7 graus norte e na longitude 77,5 graus oeste.

Essa posição deixa o "Fay" a apenas 25 quilômetros a leste-sudeste de Cabo Cruz, no Granma, a 120 quilômetros a sul-sudeste de Santa Cruz del Sur, em Camagüey, e a 350 quilômetros a sudeste de Trinidad, em Sancti Spíritus.

A imprensa oficial cubana comunicou a suspensão dos vôos nacionais com destino ao leste de Cuba.

De acordo com a agência estatal "AIN", as evacuações começaram na província de Las Tunas por causa da ameaça da chegada de "Fay", que ameaça se transformar em furacão nos próximos dias.

"Esta ação para proteger a população começou por Guayabal, local costeiro muito vulnerável ao avanço do mar situado no município de Amancio (sul) e relativamente perto de Cabo Cruz, em Granma, e Santa Cruz del Sur, diz a "AIN".

A agência acrescenta que veranistas que passavam as férias em um acampamento e creches do Ministério da Educação e do Açúcar foram os primeiros a serem transferidos a suas casas em Amancio.

Em Granma, vários locais com risco de inundação foram evacuados nos municípios de Pilón, Niquero e Campechuela, informou a emissora local "Radio Reloj".

O Centro de Direção do Conselho de Defesa Nacional cubano foi acionado ontem à noite diante do perigo representado pelas chuvas associadas à tempestade tropical, informou a imprensa oficial, que citou como fonte o chefe desse organismo, o general Ramón Pardo Guerra.

O furacão mais devastador a atingir Cuba destruiu, em novembro de 1932, a cidade de Santa Cruz del Sur, onde a passagem do ciclone deixou 3 mil mortos, além do "Flora", que matou 1.150 pessoas em 1963.

Em novembro, a tempestade tropical "Noel" deixou um morto, obrigou a evacuação de 80 mil pessoas e causou perdas de US$ 500 milhões em sete províncias do leste da ilha.

A ilha de Cuba foi atingida diretamente por 89 furacões e 118 tempestades tropicais nos últimos 155 anos.

Só na última década, os ciclones causaram perdas de mais de US$ 4,5 bilhões, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

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