Passageiros sofrem com o caos aéreo causado pelas Aerolíneas Argentinas

Os atrasos e cancelamentos de vôos das Aerolíneas Argentinas, que o governo atribui a um overbooking e a problemas de manutenção por parte da transferência de controle da companhia pela empresa espanhola Marsans ao Estado Nacional, transformaram o aeroporto de Buenos Aires num verdadeiro inferno para as centenas de passageiros de várias nacionalidades que se encontram há quase 30 horas esperando uma solução para a situação.

AFP |

"Houve uma excessiva venda de passagens ante a escasez de aviões disponíveis para a temporada de inverno", informou neste domingo o novo presidente das Aerolíneas Argentinas-Austral, Julio Alak, designado na semana passada pelo governo de Cristina Kirchner.

Segundo ele, o sábado foi o dia mais difícil em termos de overbooking, mas que a situação seria normalizada paulatinamente.

Entre os passageiros retidos no aeroporto de Ezeiza estão muitos turistas brasileiros, que se queixam da falta de informação e, principalmente, das dificuldades de acomodação e alimentação.

O ministro do Planejamento, Julio de Vido, acusou na véspera a Marsans de querer fazer caixa vendendo passagens além do número de aviões e tripulação de bordo disponíveis.

"Foram vendidas passagens como se os aviões estivessem funcionando em pleno vapor e só está voando pouco mais da metade da frota, ouo seja, 29 aeronaves, enquanto que as outras 25 estão paradas por falta de manutenção", explicou, por sua parte, Edgardo Llano, secretário-geral do sindicato Associação do Pessoal Aeronáutico.

Os vôos domésticos também sofrem com o caos generalizado e que atinge também o aeroparque "Jorge Newbery". O início do recesso escolar de inverno faz com que muitas famílias aproveitem para viajar para centros de esqui.

Os problemas que alteraram o programa dos vôos começaram em meados da semana passada, apesar de, num primeiro momento, terem sido atribuídos à neblina e a certas interferências de radioemissoras clandestinas nas comunicações entre a torre de controle e as aeronaves.

O Governo argentino assinou na segunda-feira passada o acordo de reestatização das companhias Aerolíneas Argentinas (AA) e Austral, em crise depois de sete anos em poder do grupo espanhol, com um passivo de 890 milhões de dólares.

A iniciativa de voltar a estatizar soma-se às empreendidas durante o governo do presidente peronista social-democrata Néstor Kirchner (2003-2007), com as empresas de água potável, correios e estradas de ferro, entre outras.

A privatização das AA e Austral havia sido uma das mais polêmicas dos anos 90, quando o presidente peronista liberal Carlos Menem (1989-1999) as cedeu à espanhola Iberia, apesar de um aluvião de denúncias judiciais por corrupção presumível.

A Ibéria se retirou do negócio em 2001 e deixou um passivo de 700 milhões de dólares, quantia com a qual teve que arcar o erário público argentino para transferir a posse ao grupo espanhol Marsans que, por sua vez, pagou um preço simbólico de um euro.

Durante o ano, o gerenciamento da Marsans fracasssou e o Estado teve que pagar os 9.000 assalariados das empresas.

Ambas controlam 80% do mercado de cabotagem, paralelamente às rotas internacionais administradas pela AA.

Apenas 32 dos 56 aviões da frota total de ambas as companhias estão em condições de voar, segundo o sindicato da Associação de Pilotos, que denunciou um processo de esvaziamento.

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