Partidos querem reduzir impostos para tirar Alemanha de crise

Berlim, 28 jun (EFE).- A União Democrata-Cristã (CDU) e sua parceira bávara, União Social-Cristã (CSU), chegarão às eleições gerais de setembro com o objetivo de reduzir impostos em quase 15 bilhões de euros entre 2009 e 2013.

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Apesar das críticas de dentro da própria CDU quanto a incluir os donos de rendas elevadas nessa redução, a presidente do partido e chanceler alemã, Angela Merkel, sustentou hoje que sob seu Governo "não haverá nenhuma alta de impostos" durante a próxima legislatura.

Segundo Merkel, essa redução impositiva "moderada" será feita em duas fases e assegurou que se trata da resposta "correta" e "sensata" para fazer frente à crise econômica.

"Com este programa, demonstramos que temos a força para dirigir a Alemanha em tempos de crise e fazer com que o país saia forte dela", declarou a chanceler em entrevista coletiva.

A proposta da CDU e da CSU, que passará por votação amanhã em um congresso conjunto de ambos os partidos, favorecerá o crescimento da Alemanha, sustentou Merkel, apesar de institutos econômicos preverem para este ano uma contração de 6,3% e, para 2010, de 0,3%.

"A crise oferecerá ao próximo Governo desafios que não foram vividos na Alemanha nos últimos 60 anos", afirmou a chanceler, ao defender novamente uma nova estrutura financeira internacional baseada nos princípios da economia social de mercado como método para revitalizar a economia.

Com investimentos em pesquisa e educação, energias renováveis e na luta contra a mudança climática, CDU e CSU buscarão revalidar em setembro sua posição como opção política mais votada da Alemanha.

O presidente da CSU, Horst Seehofer, sustentou que o objetivo eleitoral da aliança conservadora não é apenas vencer esse pleito, mas pôr fim à atual grande coalizão com os social-democratas do SPD e se aliar com parceiros naturais do Partido Liberal (FDP).

Merkel insistiu que os dois partidos conservadores devem apoiar de forma unânime a necessidade de reduzir a carga tributária, especialmente sobre a classe média, e diminuiu a importância dada por alguns membros de seu partido à defesa do aumento de impostos para os mais ricos.

É o caso dos governantes dos estados federados de Baden-Württemberg e Saxônia-Anhalt, Günther Oettinger e Wolfgang Böhmer, respectivamente, que não compareceram hoje à reunião das direções do CDU e do CSU por problemas de agenda, segundo Merkel, mas que estarão amanhã no congresso conjunto das legendas.

"Temos uma mesma opinião ao respeito", sustentou a chanceler, ao acrescentar que, diante dos "extraordinários" desafios da crise, é necessário que seu partido adote medidas que não seriam necessária há quatro anos, na última campanha eleitoral.

O milionário corte tributário proposto por Merkel recebeu críticas do partido A Esquerda e do co-governamental Partido Social-Democrata (SPD).

O ministro do Trabalho, Olaf Scholz, que é do SPD, sustentou durante um encontro do SPD bávaro em Nuremberg (sul da Alemanha) que esta é uma "promessa em que ninguém pode acreditar".

Ainda segundo Scholz, baixar os impostos dos mais ricos representa "um perigo para a coesão social" na Alemanha.

Já o presidente do partido A Esquerda, Oskar Lafontaine, sustentou que a chanceler "não pode mentir" aos eleitores com a promessa de uma redução de impostos e chamou o programa eleitoral conservador de "antissocial e contraproducente".

Segundo diversas pesquisas de opinião, a aliança conservadora parte como favorita nas eleições, com 37% dos votos, à frente dos social-democratas, com 25%.

O FDP ficaria com 13%, enquanto Os Verdes conseguiriam 11% e A Esquerda, partido composto por pós-comunistas e dissidentes social-democratas, obteria 8% dos votos. EFE nvm/bba

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